quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O que é a arte (de novo)

Aqui fica uma sugestão para começar o novo ano, no dia 9 de Janeiro, no auditório do Museu Coleção Berardo. Trata-se da segunda parte do colóquio O Que é a Arte?, de cuja primeira parte aqui deixámos nota.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eles estão por todo o lado

O que há em comum entre todas estas pessoas?

Matt Groening (o criador de Os Simpsons)
Vaclav Havel (escritor e ex-presidente da República Checa)
Ethan Coen (realizador de cinema: Fargo, Este País não é para Velhos, O Grande Lebowski)
Lana del Rey (cantora)
Stewart Butterfield (co-fundador do Flickr)
Harrison Ford (ator)
Bruce Lee (ator de filmes de artes marciais)
Carly Fiorina (antiga presidente da HP)
Robert Motherwell (pintor)
Philip Glass (compositor)
Larry Sanger (co-fundador da Wikipédia)
Susan Sarandon (atriz: Telma e Louise, A Grande Caminhada, O Cliente)
Mike Ratledge (organista e fundador do grupo de rock progressivo Soft Machine)
Richard Gere (ator)
Gavin Bryars (compositor)
Peter Thiel (fundador do PayPal)
Terrence Malick (realizador de cinema: A Barreira Invisível)
Steve Reich (compositor)
Reid Hoffman (co-fundador do Linkedin)
Moby (músico)
...
Pacheco Pereira (comentador político)
Francisco Assis (político)

Sim, todas elas estudaram ou têm uma graduação superior em filosofia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Janelas no Jornal de Letras


Métodos da Ética

É certamente merecido o prémio de tradução científica e técnica para língua portuguesa atribuído pela FCT à tradução de Os Métodos da Ética, do filósofo utilitarista Henry Sidgwick, por Pedro Galvão. A tradução de Pedro Galvão para a Fundação Calouste Gulbenkian (2013), é feita a partir da 7.ª edição do original inglês, de 1907, e inclui uma curta, mas muito clara e muito útil, introdução do tradutor. 

A introdução de Pedro Galvão começa assim:

Os Métodos da Ética, de Henry Sidgwick conta-se entre as obras-primas incontornáveis da ética filosófica — é o que asseveram muitos dos melhores filósofos morais do nosso tempo. John Rawls refere-se a este livro como «a obra filosoficamente mais profunda» do utilitarismo clássico, a teoria defendida por Jeremy Bentham, e mais tarde por J. S. Mill, que propõe a promoção da felicidade geral como padrão ético fundamental. Peter Singer, um utilitarista que não hesita em descrever Os Métodos da Ética como o melhor livro de ética jamais escrito, justifica deste modo a sua apreciação: «Não é fácil apontar questões importantes de ética normativa que não sejam abordadas já aí — e muitas vezes é difícil ir além daquilo que Sidgwick diz.»

E, por sua vez, o próprio Sidgwick começa o livro assim:

Os limites do estudo designado por «Ética» são concebidos de formas diversas e frequentemente vagas, mas talvez possam desde já ser suficientemente definidos, para os efeitos do presente tratado, se por um «método da ética» entendermos qualquer procedimento racional pelo qual determinamos aquilo que os seres humanos individuais «devem» fazer — ou que é «correcto» fazerem — ou procurar realizar por acções voluntárias. Ao usar a palavra «indivíduo», distingo provisoriamente o estudo da Ética do da Política, que procura determinar a constituição apropriada e a conduta pública correcta das sociedades governadas. Na minha opinião, tanto a Ética como a Política distinguem-se das ciências positivas por terem como objectivo especial  e primário determinar aquilo que deve ser, e não descobrir aquilo que meramente é, foi ou será.  

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Lógica aristotélica ou proposicional?



Ao longo de vários anos, tenho-me dado conta de que por cada dúvida que professores e alunos nos fazem chegar quanto à lógica proposicional, recebemos mais de uma vintena de dúvidas relativamente à lógica aristotélica. Isto só por si seria uma razão com alguma força para fazer os professores considerar leccionar a lógica proposicional em vez de leccionarem a aristotélica. Claro, esta é uma razão de mera expediência, e por isso sem muita força. Contudo, se a isto acrescentarmos os dois factos seguintes, ficamos com fortes razões para preferir leccionar a lógica proposicional à aristotélica.

E que factos são esses? O primeiro e mais óbvio é que a lógica proposicional ensina lógica aos alunos num sentido estruturante e operativo, porque ensina a lógica elementar profunda da linguagem do raciocínio, que eles usam todos os dias e a toda a hora: a lógica da negação, da condicional, da conjunção e da disjunção. Além disso, esta lógica está subjacente a muitas discussões filosóficas: para compreender com rigor o que é uma definição explícita de arte, por exemplo, ou de conhecimento, é preciso dominar a lógica da bicondicional, que não é mais do que uma conjunção de condicionais. Ainda mais além disso, quase nenhuma reconstrução de um argumento filosófico tem forma silogística, mas a maior parte dos argumentos filosóficos (sobretudo os estudados no secundário) têm uma estrutura proposicional, como é o caso do problema do mal, que se formula adequadamente como um modus tollens, mas também os argumentos centrais acerca do livre-arbítrio estudados no secundário.

O segundo facto é que a lógica aristotélica é tradicionalmente ensinada de uma maneira que não envolve da parte do aluno, efectivamente, qualquer tipo de raciocínio lógico relevante. Isto porque não ensinamos a demonstrar directamente a validade ou invalidade das formas silogísticas, como o fez o próprio Aristóteles; ensinamos apenas a aplicar mecanicamente uma lista de "regras". Isto torna-se nítido se pensarmos que uma pessoa que nada saiba de lógica é perfeitamente capaz de aplicar aquelas regras para determinar a validade ou invalidade das formas silogísticas; mas para demonstrar directamente a validade ou invalidade dessa formas, tal como Aristóteles o fez, é preciso saber realmente lógica.

Estas são razões suficientes para optar pelo ensino da lógica proposicional. Ao fazê-lo, temos tudo a ganhar, não apenas em termos de expediência — pois quase não surgem dúvidas na leccionação desta lógica — mas também, e sobretudo, em termos do serviço educativo que prestamos aos nossos alunos.

Fica o convite gentil. E nós estaremos sempre disponíveis para trabalhar em conjunto com os professores que se decidirem pela lógica proposicional.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Subalternas

O quadro acima encontra-se na página 35 do manual do 11.º ano (no manual do professor está totalmente preenchido). 

Alguns colegas perguntaram-nos se a resposta que se encontra destacada no quadro acima estará mesmo correta. Então a subalterna de uma proposição do tipo I (Algumas verdades são desagradáveis) não é uma proposição do tipo A (Todas as verdades são desagradáveis)? Não é verdade que A e I são subalternas uma da outra? Se isso for verdade, então há um erro no quadro, pois a resposta correta não é "Não tem". 

Mas a verdade é que não há qualquer erro no quadro, pois as proposições de tipo I e de tipo O não têm subalternas, apesar de elas serem subalternas de proposições de tipo A e tipo E, respetivamente.

A relação de subalternidade, ao contrário das outras (contrariedade, contraditoriedade e subcontrariedade), não é simétrica. Assim, uma proposição de tipo I é a subalterna de uma proposição de tipo A. Mas uma proposição de tipo A não é a subalterna de uma proposição de tipo I. Isto contrasta, por exemplo com o que se passa entre as proposições contrárias A e E. Neste caso a relação é simétrica, ou seja, A é a contrária de E e a E é contrária de A. 

Recorde-se que I é subalterna de A, assim como O é subalterna de E, se e só se excluirmos classes vazias; caso as incluamos, não há qualquer relação de subalternidade (tal como não há também diferença entre as contrárias e as subcontrárias). 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Concurso: Ensaio filosófico no ensino secundário


Eis uma excelente iniciativa da Associação de Professores de Filosofia (APF), que merece uma grande adesão de todos os professores de Filosofia do secundário.

A APF irá promover, no presente ano letivo, o concurso Ensaio filosófico no ensino secundário, dirigido a todos os alunos do ensino secundário público e privado português, com as seguintes finalidades: promover nos jovens o interesse pela escrita e reflexão filosófica sobre problemas atuais; valorizar o ensino da filosofia no ensino secundário e contribuir para a divulgação do trabalho realizado na escolas. 

O prazo de entrega de ensaios termina no dia 1 de Junho de 2015. O tema é livre e o ensaio não deve ultrapassar as 20 páginas (incluindo capa, eventuais índices, referências bibliográficas, anexos, etc.). O prémio é de 150 € e só pode concorrer um aluno por escola, obrigatoriamente orientado por um professor.

Os Ensaios serão avaliados em função dos seguintes critérios: 
   a) exploração rigorosa do problema, tese(s), argumentos e conceitos em discussão 
   b) estruturação dos conteúdos 
   c) clareza e rigor da expressão. 

Mãos à obra!