sexta-feira, 30 de maio de 2014

Aristotélica ou silogística?


Perguntou-nos um colega se não devíamos chamar "lógica silogística" ao que, no programa de Filosofia, se chama "lógica aristotélica". Aproveitamos para partilhar com todos a nossa resposta, pois pode haver mais interessados no assunto.

Antes de mais, convém sublinhar que não se trata de uma questão que tenha implicações no cumprimento do programa, como não tem implicações diretas na prática letiva com os nossos alunos. Todavia, quando ensinamos algo, é importante ter em conta alguns aspetos que vão para além disso, pois permitem-nos ter uma compreensão mais alargada do que se ensina e, consequentemente, uma maior segurança pedagógica.

Voltando à pergunta colocada, todos sabemos que o estudo da lógica começou com Aristóteles. Ora, embora a lógica de Aristóteles não se reduza à teoria silogística, esta é seguramente a sua parte mais importante. De resto, a teoria silogística continuou a ser desenvolvida depois de Aristóteles, tendo-lhe sido posteriormente acrescentados alguns aspetos que o fundador da lógica não considerava. 

Para dar um exemplo bem conhecido, Aristóteles apenas considerava três figuras do silogismo. A muito discutida quarta figura só foi introduzida já depois de Teofrasto estar à frente do Liceu ateniense. 

Assim, ao ensinarmos as quatro figuras do silogismo, estamos a ensinar algo que, em rigor, não faz totalmente parte da lógica de Aristóteles. Por isso, seria talvez mais correto dizer que se ensina lógica silogística. 

Contudo, podemos admitir que a designação "lógica aristotélica" refere simplesmente a lógica de matriz aristotélica, ainda que desenvolvida por outros que se lhe seguiram. Nesse caso, não parece totalmente desajustado chamar-lhe "lógica aristotélica".

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Funchal

É já no próximo dia 31 de maio (sábado), às 10:30, que iremos apresentar o projeto 50LF, 11º Ano na Madeira, mais precisamente no Hotel Enotel Lido, na cidade do Funchal. Estão convidados todos os professores de filosofia da Madeira.

domingo, 25 de maio de 2014

Dedução e indução

Com a sua habitual clareza e precisão, Graham Priest explica o que torna uma indução válida:
“O que faz uma inferência ser indutivamente válida? Simplesmente o facto de as premissas tornarem a conclusão mais provável do que improvável.”
Alguns autores reservam o termo "validade" apenas para a dedução. Como Priest e outros filósofos, iremos usar "validade" também para o caso da indução.

Quando um argumento é dedutivamente válido, é impossível que tenha conjuntamente premissas verdadeiras e conclusão falsa (é a isto que se chama “implicação”: as premissas implicam a conclusão quando é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a última falsa). A diferença é que quando um argumento é válido indutivamente, não é impossível que tenha premissas verdadeiras e conclusão falsa: é apenas improvável. Que quer isto dizer?

A validade dedutiva exclui a possibilidade de a conclusão ser falsa se as premissas forem verdadeiras. A validade indutiva não exclui esta possibilidade, mas torna-a improvável.

A diferença entre a impossibilidade e a improbabilidade compreende-se melhor com um exemplo: não é impossível que uma pessoa ganhe vinte vezes de seguida no Euromilhões, mas é muitíssimo improvável. Do mesmo modo, quando temos um argumento válido indutivo, não é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa, mas é muito improvável.

Vejamos dois exemplos contrastantes:
Validade dedutiva: “Alguns corvos são animais bonitos. Logo, alguns animais bonitos são corvos”.
Validade indutiva: “Todos os corvos observados até hoje são pretos. Logo, todos os corvos são pretos”.
Não é possível que alguns corvos sejam animais bonitos sem que ao mesmo tempo alguns animais bonitos sejam corvos. Contudo, é possível que todos os corvos observados até hoje sejam pretos, sem que todos os corvos sejam pretos: talvez tenhamos visto mal. Esta é a mais importante diferença entre a validade dedutiva e a indutiva: a primeira exclui a falsidade da conclusão quando as premissas são verdadeiras; a segunda não exclui tal coisa, mas torna-a improvável.

São muito frequentes os argumentos dedutivos em que se parte de premissas gerais e se chega a uma conclusão particular. Mas nem sempre é assim. E também são muito frequentes os argumentos indutivos em que se parte de premissas particulares e se chega a uma conclusão geral. Mas, mais uma vez, nem sempre isso acontece. Assim, o que distingue os argumentos dedutivos dos indutivos não é a generalidade relativa das premissas e conclusões. Isto confirma-se com os seguintes exemplos:
Dedução do particular para o particular: “Algumas ideias filosóficas são difíceis. Logo, algumas ideias difíceis são filosóficas”.
Dedução do geral para o geral: “Nenhuma divindade é mortal; logo, nenhum mortal é uma divindade”.
Indução do geral para o particular: “Todos os corvos observados até hoje são pretos. Logo, o corvo do Luís é preto”.
Outra diferença importante entre a dedução e a indução é esta: quando temos um argumento dedutivamente válido, qualquer argumento que tenha a mesma estrutura será também válido (há exceções a esta afirmação, mas não vamos preocupar-nos com elas.) Por exemplo, o argumento "Alguns seres humanos são filósofos, logo alguns filósofos são seres humanos" é dedutivamente válido. Isto significa que qualquer argumento com a mesma estrutura é também válido. É o caso dos argumentos "Algumas cidades são bonitas, logo algumas coisas bonitas são cidades" e "Alguns carros são perigosos, logo algumas coisas perigosas são carros". Mas isso não acontece no caso dos argumentos indutivos: quando temos um argumento indutivamente válido, há outros argumentos com a mesma estrutura que são inválidos. Por exemplo, o argumento "Todos os corvos observados até hoje são pretos, logo todos os corvos são pretos" é indutivamente válido, mas o argumento seguinte, apesar de ter a mesma estrutura, é inválido: "Todos os seres inteligentes observados até hoje são terrestres, logo todos os seres inteligentes são terrestres".

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Setúbal

A próxima apresentação de 50LF, 11º Ano terá lugar no Hotel Novotel, em Setúbal, já no próximo sábado, dia 24 de maio, às 10:30.

Olimpíadas Internacionais de Filosofia: mais prata para Portugal

Os representantes portugueses nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia, que se realizaram entre os dias 15 e 18 de maio na cidade de Vilnius, na Lituânia, estão de parabéns. Ambos trouxeram para Portugal mais duas medalhas de prata.

Entre dezenas de concorrentes de 41 países (da Argentina ao Japão, passando pela Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, México, Índia, Estados Unidos, Rússia, e muitos outros), a Maria Beatriz Santos, do Agrupamento de Escolas Ibn Mucana (Alcabideche) e o João Filipe Madeira, da Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (Santarém) foram dos melhores entre os melhores.
 Os participantes portugueses apresentam-se, juntamente com os professores que os acompanharam.

O João (o primeiro à esquerda) e a Beatriz (a terceira à esquerda), já com as suas medalhas de prata. 
Fotos retiradas da página oficial do evento.
Estão também de parabéns os professores que os apoiaram e os acompanharam em Portugal e na Lituânia, assim como a Prosofos, que tem organizado as Olimpíadas Nacionais de Filosofia com os resultados que estão à vista.

Que seja também um incentivo para que, no próximo ano, ainda mais alunos e escolas do ensino secundário participem. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Informações do editor


Nesta ligação os colegas encontram várias informações do editor sobre o nosso manual, e podem aceder à versão digital de demonstração. Boas explorações!

domingo, 11 de maio de 2014

Gaia e Porto

Estaremos na próxima sexta-feira, dia 16 de maio às 16:30, no Novotel de Vila Nova de Gaia (perto da ponte da Arrábida) e no dia seguinte, dia 17 de maio às 10:30, no Porto, na agradável e acolhedora Fundação Cupertino de Miranda (na Av. da Boavista), para a apresentação e distribuição do projeto completo 50LF. Quem ainda não se inscreveu, poderá fazê-lo aqui.

Têm-nos perguntado também se a apresentação de quarta-feira em Braga irá contar com a presença de algum dos autores. Sem dúvida que sim. Lá estará um de nós. 

Vila Nova de Gaia (Novotel), sexta-feira, dia 16 de maio, às 16:30.


Porto (Fundação Dr. António Cupertino de Miranda), sábado, dia 17 de maio, às 10:30.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

50LF 11 no Brasil



Acabo de receber alguns exemplares do 50LF, 11.º ano, para vender no Brasil. O preço é R$85 + R$20 (frete) = 105 reais. Para comprar, basta enviar-me um email perguntando se ainda tenho exemplares (para reservar um para si), e depositar então o dinheiro na minha conta do Banco do Brasil (agência 0473-1, conta 19.742-4, CPF 017.459.406-26).

Braga

Estaremos no próximo dia 14 de maio (quarta-feira), pelas 16:30, no Hotel Meliá Braga, para a apresentação e a distribuição da pasta com o projeto completo 50LF, 11º ano. Podem inscrever-se no sítio do costume


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Soluções religiosas

Estão já disponíveis as soluções das questões de revisão e de discussão dos capítulos de filosofia da religião, no manual digital. Bom trabalho!

terça-feira, 6 de maio de 2014

4=1


Todos os professores de Filosofia irão receber o que se vê na imagem à esquerda (menos a pasta, que é oferecida apenas nas sessões de apresentação). Por sua vez, os professores das escolas que optarem por trabalhar com 50LF, 11.º Ano receberão, além disso, o nosso cartão que se vê na imagem direita, com todos esses materiais integrados.

Que materiais são esses? São os seguintes.

1. A versão integral do manual digital (que inclui apresentações em Powerpoint de cada capítulo, esquemas adicionais, vídeos didáticos, todos os exercícios do manual do aluno resolvidos e muitos outros recursos que surgem sempre no momento e no lugar apropriado).

2. Todo o conteúdo do Guia do Professor (que inclui planificações, planos de aula, orientações de lecionação, testes de avaliação e respetivas propostas de resolução, acessíveis diretamente a partir do manual digital).

3. Todo o conteúdo do Caderno do Estudante (que inclui provas de exame e respetivos critérios de classificação, atividades e respetivas soluções, além de 100 textos complementares diretamente acessíveis a partir do manual digital). 

Todos estes recursos estão dinamicamente integrados de modo a que não seja preciso perder tempo a procurá-los, estando ao alcance de um clic no próprio manual digital, sempre que vêm a propósito. 

E tudo isto (excetuando alguns vídeos que se encontram no YouTube) pode ser feito sem qualquer ligação à Internet. Assim, pode ser usado sem problemas mesmo nas escolas em que há dificuldades de ligação à Internet.

O professor tem, assim, tudo o que precisa na palma da sua mão, com um peso não superior a 10 gramas.

Como seria de esperar, o cartão está concebido de modo a que o seu conteúdo não possa ser apagado nem copiado.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Lisboa

Chegou a vez de Lisboa. Estaremos no próximo dia 10 de maio (sábado), pelas 10:30, no Sana Malhoa Hotel (Av. José Malhoa, perto da Praça de Espanha) para apresentar e distribuir a pasta com o projeto 50LF completo. Podem inscrever-se aqui.

Os juízos de valor não são verdadeiros nem falsos?

Para quem pensa que as teorias filosóficas não têm quaisquer consequências práticas, sugere-se a leitura do artigo de Francisco Teixeira da Mota, do dia 2 de maio de 2014 (p. 47), publicado na sua habitual crónica das sextas-feiras no jornal Público, intitulada "Escrever direito".

No artigo, o conhecido advogado relata uma decisão recente do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, contra um tribunal alemão. Teixeira da Mota considera-a uma decisão correta, baseando-se na ideia, segundo ele evidente, de que os juízos de valor não são verdadeiros nem falsos. 

Mas será assim tão evidente que os juízos de valor não são verdadeiros nem falsos? Esta é, sem dúvida, uma questão filosófica. Questão acerca da qual, aliás, os filósofos apresentam perspetivas diferentes e, por vezes, até opostas. Teixeira da Mota parece defender uma perspetiva emotivista, divergindo dos subjetivistas e opondo-se claramente aos objetivistas acerca dos valores. Um bom caso real para discutir no 10.º ano, a propósito da justificação dos juízos de valor.

Transcrevem-se a seguir as partes do artigo mais relevantes para a discussão filosófica. O artigo completo está aqui.

Podermos chamar palhaços aos nossos governantes é, inequivocamente, uma conquista do 25 de Abril. Mas não é uma conquista segura.

No domínio da liberdade de expressão, os conservadorismos e os atavismos ainda – e sempre – podem muito. Ou porque não é educado dizer-se isto e aquilo ou porque se podia dizer de outra maneira “sem ofender” ou, ainda, porque não havia necessidade ou razão para o dizer. Tudo pode servir como justificação para que as inibições, os receios e os preconceitos esmaguem a liberdade. 
O caso é particularmente interessante porque se prende com uma questão que, muitas vezes, os nossos tribunais têm dificuldade em apreciar: a diferença entre a afirmação de factos ou de opiniões. Quanto aos primeiros, quem os afirma e com eles ofende alguém terá de provar a sua veracidade ou, pelo menos, que os afirmou na convicção séria da sua veracidade. Quanto às opiniões ou juízos de valor, as mesmas não são verdadeiras ou falsas, como é evidente, pelo que quem as afirma só terá de provar que tem algum fundamento factual para ter criado essa opinião ou exprimir esse juízo de valor. No nosso país, por vezes, os tribunais entendem que as opiniões são falsas por não provadas e, daí, condenarem quem as emitiu.
Brosa era um activista que decidiu denunciar a associação Berger-88-e.V., que considerava neonazi, e Heinz, um político local que, na sua opinião, dava cobertura a essa mesma associação. E, assim, entre outras coisas, produziu, por altura de umas eleições autárquicas em que Heinz concorria a presidente da câmara, um panfleto em que afirmava ser a associação Berger-88-e.V. uma organização neonazi particularmente perigosa e aconselhava a não votar em Heinz por dar cobertura à mesma. Heinz recorreu aos tribunais e conseguiu que Brosa fosse proibido de distribuir o panfleto e de o referir como um apoiante de organizações neonazis sob pena de pagar elevadas multas. Para os tribunais alemães, Brosa não tinha conseguido provar que Heinz dera cobertura a uma organização neonazi, tudo o que apresentara em sua defesa eram meras conjecturas e interpretações subjectivas. 
Brosa explicara que, como era sabido, a organização em causa tinha o nome “88” em substituição das palavras “Heil Hitler”, sendo o 8 a oitava palavra do alfabeto, que havia diversos membros dessa organização que tinham sido perseguidos criminalmente por actividades ligadas à extrema-direita, que numa festa alguns deles tinham feito saudações nazis e que os serviços secretos alemães mantinham vigilância sobre a organização. 
Mas para os tribunais alemães, os direitos de personalidade de Heinz tinham sido violados por Brosa sem fundamento suficiente, já que não provara os factos em causa: que a associação era neonazi e que Heinz lhe dava cobertura como tal, pelo que mantiveram as proibições. 
Recorreu Brosa ao TEDH invocando ter sido violado o artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) que consagra a liberdade de expressão europeia, que não é ilimitada mas é bastante consistente e ampla.
[…]

sábado, 3 de maio de 2014

Santarém

Apresentação e distribuição do projeto 50LF, 11.º Ano, no Santarém Hotel, em Santarém, no dia 7 de maio (quarta-feira), pelas 17:00. Contamos convosco.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

O problema da demarcação: distinguir o que é ciência do que não é ciência

Há um grande cepticismo sobre a possibilidade de efectivamente distinguir a ciência da não-ciência. A ideia de que não podemos ter um critério de demarcação satisfatório é motivada pelas tentativas falhadas de prover tal critério no passado, e pela observação da diversidade cada vez maior de métodos e finalidades das disciplinas que somos inclinados a considerar como científicas. Como podemos esperar oferecer uma explicação unificada do que faz da investigação uma investigação científica em disciplinas tão diferentes como a física, a geologia e a economia?
Ainda que a tarefa de delimitar a ciência possa parecer infrutífera, há muito boas razões para continuar a insistir. É importante saber em que especialistas se deve confiar, que projectos de investigação financiar, que teorias ensinar nas escolas. E as decisões sobre estas questões não podem ser tomadas apenas com base na consistência teórica ou na aparente adequação da teoria aos dados empíricos. Precisamos de uma explicação do que a ciência é, do que os cientistas fazem e de que metas e métodos caracterizam a investigação científica. Não é provável que a explicação bem-sucedida (se é que tal coisa existe) seja muito específica, pois é um facto que a especialização conduziu a uma série de conceitos diferentes de indícios e, além do mais, a diferentes critérios para o êxito nas ciências naturais e entre estas e as ciências sociais.
As questões ligadas à delimitação da ciência adquirem grande importância na sociedade contemporânea, onde a ciência é investida de uma autoridade e responsabilidade especiais. Os cientistas são muitas vezes quem aconselha os políticos sobre as políticas a seguir, e as suas opiniões são amplamente solicitadas e ouvidas nos meios de comunicação. Em virtude dos seus conhecimentos especializados, do seu estatuto enquanto cientistas, alguns deles são chamados a encontrar soluções para muitos dos nossos problemas quotidianos, desde lidar com os efeitos das secas a evitar que novos programas de ensino produzam efeitos adversos nas crianças. Se é atribuída tanta responsabilidade quer aos cientistas quer à comunidade científica como um todo, parece que precisamos com alguma urgência de uma explicação sobre o que é uma disciplina propriamente científica, por oposição ao exercício de disciplinas que não partilham da mesma respeitabilidade e autoridade social, como a astrologia e a quiromancia. Além do mais, fazer investigação científica em muitas áreas (em biomedicina, agricultura, em recursos energéticos renováveis, por exemplo) pode trazer grandes benefícios às pessoas e às sociedades, e portanto é algo que deveria ser amplamente apoiado e promovido. Se a ciência tem algum valor num contexto de recursos públicos limitados, ele está em fazer pressão para que possamos ser capazes de identificar exemplos genuínos de investigação científica e projectos de investigação válidos.
Lisa Bortolotti, Introdução à Filosofia da Ciência, pp. 17-18.