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A mostrar mensagens de Julho, 2013

Encontro de professores de Filosofia com... o filósofo Simon Blackburn

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Simon Blackburn é um filósofo que dispensa apresentações. Os seus livros são usados e citados por muitos professores e manuais portugueses. Todos os que se interessam pelo que Blackburn escreve vão poder ouvi-lo, conversar e discutir com ele já no próximo dia 6 de Setembro, em Coimbra.
Blackburn é o convidado internacional do 11º Encontro Nacional de Professores de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia e, nesta edição, em colaboração com o Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 
O tema geral do Encontro, que irá decorrer nos dias 6 e 7 no Teatro Paulo Quintela, é «O Estatuto da Filosofia na Escola».

Filosofia antiga: catorze séculos de filosofia

Catorze séculos... sem contar com as sementes que continuam a dar frutos. Mais uma entrevista da série No Jardim da Filosofia.
A propósito, vale a pena continuarmos atentos à tradução em curso da obra completa de Aristóteles, coordenada precisamente por António Pedro Mesquita.

A priori outra vez

Os comentários de Eduardo e Luísa à minha última nota fizeram-me pensar que talvez seja uma boa ideia esclarecer melhor os conceitos de a priori e a posteriori.

A primeira coisa a notar é que o conhecimento, seja a priori ou a posteriori, é sempre uma relação entre um sujeito cognitivo e o que é conhecido. O que é conhecido tanto pode ser 1) uma prática, como andar de bicicleta, caso em que se trata de saber-fazer, 2) coisas, como a Ponte da Arrábida ou 3) verdades, como que a Ponte da Arrábida fica no Porto.

Uma vez que é o conhecimento que é a priori ou a posteriori, rigorosamente falando as proposições não são a priori nem a posteriori. O que acontece é que podemos falar algo informalmente e dizer que uma dada proposição é a priori, quando o que queremos dizer é que qualquer agente cognitivo mais ou menos como nós consegue saber tal proposição a priori. Assim, este é o primeiro aspecto a notar: rigorosamente falando, as proposições não são a priori nem a posteriori, pois é a relaç…

Preparar o 11º ano: teoria do conhecimento

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É já no final deste mês que será publicada esta excelente Introdução à Teoria do Conhecimento, de Dan O'Brien, na colecção Filosofia Aberta (Gradiva). É uma introdução contemporânea, mas historicamente informada, além de muito rigorosa e abrangente. Depois de, nos últimos tempos, ter lido uma boa dezena de outras introduções a esta disciplina central da filosofia, parece-me que esta de Dan O'Brien é a mais adequada para o público português. 
Como seria de esperar, o livro inclui capítulos sobre a própria definição do conhecimento, sobre as fontes do conhecimento, sobre a justificação e sobre o cepticismo (em particular a discussão dos argumentos cépticos avançados por Descartes), que são temas centrais do programa do 11º ano de Filosofia. 
Mas também tem um capítulo inteiro sobre o problema da indução, tanto na formulação tradicional de Hume como na do chamado «novo enigma da indução», formulado por Nelson Goodman. Como sabemos, o problema da indução é um problema epistémico …

Confusão a priori

O conceito de a priori tende a gerar algumas confusões. Vejamos se podemos esclarecer as coisas.

Em primeiro lugar, trata-se de um conceito que diz respeito ao modo como justificamos crenças; como não temos apenas crenças verdadeiras, uma vez que não somos omniscientes, segue-se que o a priori não é incompatível com a falsidade. Por exemplo, quando nos enganamos ao fazer uma conta de cabeça, formamos uma crença a priori mas falsa.

Contudo, se falarmos de conhecimento a priori em vez de falarmos de crenças, é evidente que todo o conhecimento a priori é conhecimento de verdades. Mas isto é só porque todo o conhecimento é factivo, seja ele a priori  ou a posteriori. Se alguém sabe realmente algo, segue-se que isso que essa pessoa sabe é verdadeiro,  e esse conhecimento tanto pode ser a priori como a posteriori.

Em segundo lugar, quando se afirma que a filosofia é uma disciplina a priori, como a matemática, isto não significa que em filosofia se despreza a informação empírica. O que si…