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A mostrar mensagens de Junho, 2013

Raciocínio indutivo

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Eis o que se pode ler, a propósito do raciocínio indutivo, na excelente introdução à teoria do conhecimento de Dan O'Brien, que será publicada muito brevemente na colecção Filosofia Aberta.
É importante notar que este tipo de raciocínio é muitas vezes apresentado como relativo apenas ao nosso conhecimento do futuro, o que não é correcto. Os argumentos indutivos dizem respeito ao futuro, ao presente e ao passado. Consideremos os seguintes argumentos:
O FuturoPremissa: O sol nasceu todos os dias da minha vida.                 Conclusão: O sol vai nascer amanhã.
O PresentePremissa: Toda a neve que eu já vi é branca.                      Conclusão: Toda a neve que existe agora é branca.  O Passado Premissa: Todas as maçãs que eu comi continham caroços.                 Conclusão: A maçã que Guilherme Tell alvejou continha caroços.

Filosofia em Directo oferecido no Pingo Doce

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A cadeia de supermercados Pingo Doce está a fazer uma promoção nacional: em compras no valor igual ou superior a 40 euros que inclua pelo menos um livro, o cliente tem direito a escolher dois livros de oferta; dos quatro livros que o leitor pode escolher, um deles é o meu Filosofia em Directo. A promoçãoprolonga-se até ao dia 4 de Julho.

O que é a filosofia?

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Conhecimento verdadeiro?

Será possível saber que está a chover quando não está a chover? A resposta razoável é que não. E porquê? Porque a afirmação "Sei que está chover" implica que está a chover. É isto que significa dizer que o conhecimento é factivo.
Contudo, é evidente que muitas vezes pensamos que sabemos algo, mas estamos enganados: não sabemos o que julgávamos saber. Sócrates até considerava que era muitíssimo mais sábio do que os seus compatriotas porque estes pensavam saber quando não sabiam, ao passo que Sócrates sabia que não sabia. É a isto — julgar que sabemos quando não sabemos — que muitas pessoas sem formação filosófica chamam conhecimento falso; esta expressão, contudo, além de ser filosoficamente pouco rigorosa, é didacticamente desastrosa porque dá ao aluno a ideia errada de que há dois tipos de conhecimento: o verdadeiro e o falso. Ora, a verdade é que ou há conhecimento ou não há conhecimento, e quando há é sempre conhecimento de verdades, e quando não há, não se trata de conh…

Qualidades primárias e secundárias

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A natureza é creditada por algo que nos devia ser reservado a nós: a rosa pelo seu cheiro; o rouxinol pelo seu canto; o sol pelo seu brilho. Os poetas estão completamente enganados. Deviam dedicar os seus versos a eles próprios e convertê-los em odes de auto-congratulação pela excelência da mente humana. A natureza é uma coisa enfadonha, sem som, sem cheiro, sem cor. Alfred North Whitehead

Exames de filosofia

Eis os exames de filosofia de 2013, primeira fase:

EX_Fil714_F1_2013_V1

EX_Fil714_F1_2013_CC

Exame de Filosofia

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50LF deseja que tudo corra pelo melhor aos alunos que amanhã farão exame de Filosofia.


Tintim filosófico

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A Filosofia Tintim por Tintim http://filosofiatintimportintim.blogspot.pt Alunos e professores de Filosofia da ES Pinheiro e Rosa (Faro)
Um blog dos mesmos autores de Dúvida Metódica, mas com a participação de outros professores e alunos da escola Pinheiro e Rosa. Procuram sobretudo partilhar ideias, trabalhos, sugestões de livros, filmes, música, de modo a contribuir para alargar os horizontes filosóficos e culturais de todos.

Kuhn e a incomensurabilidade dos paradigmas

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Kuhn escreve o seguinte no seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas:

«Levados por um paradigma novo, os cientistas adoptam novos instrumentos e olham para novos lugares. Ainda mais importante, durante as revoluções, os cientistas vêem coisas novas e diferentes, mesmo olhando com os instrumentos do costume para os lugares para onde antes já olhavam. É um pouco como se a comunidade profissional tivesse sido transportada para outro planeta onde os objectos familiares são vistos sob uma luz diferente e aos quais se juntam também outros novos. [...] O que no mundo do cientista era um pato antes da revolução passou a ser um coelho depois dela.»
(Guerra e Paz Editores, pp. 157-8)


Se for verdade que, como defende Kuhn e a passagem anterior reforça, os paradigmas são incomensuráveis, então é incorrecto afirmar que...
a)... o novo paradigma resolve as anomalias do paradigma anterior; b)... o novo paradigma é mais abrangente do que o anterior; c)... o novo paradigma é melhor do que o ante…

A voz dos alunos: eutanásia

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Os alunos também sabem pensar, usando informação relevante posta à sua disposição. Eis um exemplo, entre outros possíveis. Obrigado Francisco. Boas férias!
Será a eutanásia uma prática moralmente aceitável?
10º ano de Filosofia
Francisco de Sousa Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes Turma H
Neste ensaio, discute-se se a eutanásia é uma prática moralmente aceitável ou não. A posição que irá ser defendida é a de que esta prática só é moralmente aceitável a pedido do indivíduo ou num caso em que o mesmo esteja num estado vegetativo irreversível.
Para começar, precisamos de saber o que é a eutanásia. A palavra «eutanásia» vem do grego e significa morte feliz. Quem pratica a eutanásia mata ou deixa morrer uma pessoa para benefício dessa mesma pessoa. Isto levanta vários problemas éticos, como, por exemplo: será que tirar a vida a uma pessoa é moralmente correto, mesmo que seja para seu benefício? As opiniões são divergentes, o que faz da eutanásia um importante problema na atualidade.
 Existem…

Uma homenagem

Há excelentes professores que, de forma discreta e tranquila, têm contribuído, com o seu empenho e o seu exemplo de profissionalismo, para a dignificação do ensino da Filosofia. Deixamos aqui um belo texto de homenagem a um colega assim, que acaba de se reformar. O texto foi enviado por outro colega que faz questão de registar aqui o seu reconhecimento. Temos todo o gosto em publicar o texto aqui. Aliás, tendo alguns dos autores de 50LF a felicidade de conhecer o homenageado, fazemos até questão de o publicar.  Ao João FélixQue ingredientes são precisos para fazer um professor? Esta não será uma das perguntas de um milhão de dólares, mas será, certamente, uma das perguntas que jamais devemos deixar de ter presentes. Dirão uns que o que faz o verdadeiro professor será a sua exímia erudição e completo saber; dirão outros que o mais importante é o uso de cuidada pedagogia; outros dirão ainda que será a disponibilidade interior para com os seus alunos. Todos estarão, seguramente, certos, m…

O que é a arte?

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Um jornal especial

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Jornal de Filosofia
http://jornaldefilosofia-diriodeaula.blogspot.pt Professores de Filosofia da ES D. João II (Setúbal)

A edição online do Jornal de Filosofia da Escola Secundária D. João II (Setúbal). Além de textos sobre as matérias estudadas nas aulas de filosofia, tem fichas de trabalho e outros materiais sobre temas diversos. Apesar de já ter vários anos de existência, continua sempre actualizado.


Contra-exemplos

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A experiência e o juízo estéticos

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Eis uma amostra do powerpoint sobre o Capítulo 7 de 50LF.


As músicas que acompanham os slides são estas:


Não há certificação para os manuais de Filosofia

Nenhum dos novos manuais de Filosofia agora em processo de adopção pelas escolas está certificado pelo Ministério da Educação, nem poderia estar certificado.

Segundo o Despacho n.º 95-A/2013, publicado no Diário da República, 2.ª série, número 2, de 3 de Janeiro de 2013, os únicos manuais certificados pelo Ministério da Educação e que serão adoptados este ano pelas escolas são os de Português, e apenas os do 4.º e 9.º anos.

Para registar a escolha do grupo, o delegado não tem qualquer opção para inserir o ISBN do manual escolhido, uma vez que no site do Ministério da Educação estão listados todos os manuais legalmente adoptáveis. O ISBN torna-se necessário apenas para identificar manuais diferentes com o mesmo título.

Tipos de falácias

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Um clássico da teoria expressivista da arte

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Eis uma parte da minha introdução ao clássico O Que é a Arte?, de Lev Tolstói, traduzido directamente do russo por Ekaterina Kucheruk para a colecção Filosofia Aberta, da Gradiva. 
Das cinco partes da introdução à tradução portuguesa, deixo aqui as duas primeiras e o início da terceira (a totalidade da introdução tem mais de vinte páginas). Podem ser encontradas pequeníssimas diferenças em relação ao que se lê no próprio livro, pois este excerto baseia-se numa versão anterior à  sua revisão para publicação.


Lev Nikolaievich Tolstói nasceu em Agosto de 1828 na aldeia russa de Iasnaia Poliana. Os seus pais, o conde Nikolai Ilitch Tolstói e a condessa Maria Tolstaia, eram, de resto, os únicos proprietários de toda a aldeia, para quem todas as outras pessoas trabalhavam. Morreu passados 82 anos, precisamente enquanto fugia de Iasnaia Poliana, da condição social que herdou e também do estrondoso sucesso que entretanto tinha alcançado como escritor. A fuga foi interrompida na estação de cam…

Kuhn e o clube de fans do paradigma

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Há já vários anos que se publicou um livro meu, A Estrutura das Revoluções Científicas. As reacções foram variadas e, por vezes, estridentes, mas o livro continua a ser amplamente lido e muito discutido. Fiquei muito satisfeito pelo interesse que originou, incluindo grande parte da crítica. Contudo, um aspecto da reacção tem-me consternado, por vezes. Ao ouvir conversas, particularmente entre os entusiastas do livro, é-me por vezes difícil acreditar que todos os participantes tenham lido o mesmo volume. Parte da razão do sucesso do livro, concluo com pesar, deve-se a que ele pode ser quase tudo para toda a gente.  Dessa plasticidade excessiva, nenhum aspecto do livro é tão responsável como a introdução, que faz do termo «paradigma» uma palavra que, nas suas páginas, figura mais vezes do que qualquer outro, exceptuando as partículas gramaticais. [...] As críticas, sejam compreensivas ou não, têm sido unânimes em acentuar o grande número de diferentes sentidos em que o termo é usado.
T…

Raciocínio: um guia orientador

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Uma falácia que Popper não cometeu

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Uma teoria para ser científica tem de ser falsificável, defende Popper. O que os cientistas fazem com as suas teorias é, pois, tentar falsificá-las, isto é, tentar mostrar que são falsas.

E se os cientistas tentarem seriamente mostrar que uma dada teoria é falsa e não o conseguirem, o que se conclui daí?

Conclui-se que a teoria é verdadeira. Certo?

Não, errado! Pode-se criticar Popper de várias coisas, mas não de cometer uma falácia tão óbvia como esta falácia do apelo à ignorância.