terça-feira, 30 de abril de 2013

NO JARDIM DA FILOSOFIA - José Gil sobre a filosofia e a discussão pública



Este vídeo faz parte da série de entrevistas com diferentes filósofos, com o título genérico NO JARDIM DA FILOSOFIA. É uma iniciativa minha, embora tenha contado com o indispensável apoio da Didáctica Editora, a quem agradeço. Todos os vídeos estão publicamente disponíveis em canal próprio do YouTube. Outras entrevistas foram já gravadas e algumas agendadas. Este projecto é, pois, para durar. 

Neste vídeo José Gil fala sobre o ensino da filosofia e da sua intervenção na discussão pública.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma boa sebenta


Sebenta de Filosofia
Domingos Faria

Blog com material filosoficamente rigoroso e muito bem arrumado. Tem textos acessíveis a estudantes e outros algo mais exigentes, mas merece sem dúvida uma visita regular. 



domingo, 28 de abril de 2013

Faro


Em Faro, apresentamos o nosso manual aos professores no Hotel Eva, dia 4 de Maio (sábado), às 9:15 da manhã. Para se inscrever, clique aqui.

sábado, 27 de abril de 2013

Costa da Caparica


O nosso manual será apresentado na Costa da Caparica no dia 3 de Maio (sexta-feira), às 16:15, no Hotel Costa da Caparica. Para se inscrever, clique aqui.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Procurando Sophia


Em Busca de Sophia
Hermes e Isabel Laranjeira

Mais um bom blog de filosofia destinado a estudantes do secundário, cujos autores são professores de filosofia da EB c/S de Oliveira de Frades. Regularmente actualizado e com muita participação de alunos nas caixas de comentários, tem também traduções de textos bastante úteis.





quinta-feira, 25 de abril de 2013

O 25 de Abril no 50LF

No 50LF, o 25 de Abril não foi esquecido. Apresentamos a seguir um excerto da lição 50 do nosso manual, no qual fizemos questão de usar como exemplo a realidade que era Portugal antes dessa imensa, dessa grandiosa lição de sentido democrático, civismo e elevação moral que foi a revolução pacífica de 25 de Abril de 1974.


A 25 de Abril de 1974, Portugal foi libertado de um regime político ditatorial pelos militares e com o apoio de milhares de pessoas comuns. Entre outros aspetos, o regime era ditatorial porque não havia eleições livres nem liberdade de expressão. O que se publicava nos jornais e livros, por exemplo, era controlado pelo estado.

O silenciamento que existia em Portugal não visava apenas proteger os próprios governantes da contestação pública, pois muitas das coisas proibidas não tinham importância política. O objectivo de uma parte do silenciamento era proteger as pessoas de ideias não políticas que os governantes consideravam falsas ou incómodas; ou seja, tratava-se de silenciamento paternalista. Quando uma proibição ou obrigação é feita para o bem da própria pessoa em causa, é paternalista.

Por exemplo, obrigar as pessoas a usar capacete nas motos é uma medida paternalista se o único ou o principal objectivo for proteger as próprias pessoas. Ser proibido andar de moto sem capacete é assim muito diferente de ser proibido roubar. A proibição de roubar não é paternalista porque não visa proteger a própria pessoa que rouba, mas antes as outras pessoas.

O argumento paternalista


Uma razão para defender o silenciamento de ideias consideradas falsas, enganadoras ou imorais é a protecção das pessoas que forem incapazes de as avaliar criticamente. Vejamos dois exemplos.

O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence (1885-1930), foi proibido em 1970 em Portugal. A razão da sua proibição não era política, dado que o romance não descreve quaisquer revoluções nem inclui discussões políticas. O livro foi proibido porque descreve de modo muito vívido as relações amorosas de uma mulher casada com o seu amante.

Lolita, de Vladimir Nabokov (1899-1977), foi publicado em 1955 e proibido no mesmo ano em Portugal. Hoje muitos romancistas e críticos literários consideram-no um dos melhores romances do século XX. A sua proibição não se deve, uma vez mais, a questões políticas. Deve-se antes ao facto de descrever, sem condenar, desejos sexuais considerados impróprios.

Quando se proíbem obras deste género, a justificação paternalista é a de que a leitura destas obras é má para quem as lê. Má porque irá provocar confusão e infelicidade. O objectivo da proibição é poupar uma má experiência aos leitores. Uma pessoa sai da sua casa, entra numa livraria e gasta o seu dinheiro comprando um livro. Chega a casa, e terá de lhe dedicar atenção durante vários dias, lendo-o; tem a liberdade de parar de o ler a qualquer momento e de o deitar fora. Do ponto de vista paternalista, contudo, o estado tem de intervir para que ela não leia o livro, pois, se o ler, talvez seja levada a pôr em causa as suas crenças mais fundamentais, o seu modo de vida e a sua maneira de ver as coisas. Para evitar tudo isto, o estado paternalista proíbe a venda do livro.

A propósito do 25 de Abril: Sandel e a necessidade do debate democrático

O 25 de Abril é o símbolo da democracia em Portugal. Eis um importante aspecto em que ainda precisamos de melhorar muito, de modo a dar substância à democracia. Pelo omnipresente Michael Sandel.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Lev Tolstói sobre a arte


Está já disponível o livro O Que é a Arte?, de Lev Tolstói, com tradução do russo de Ekaterina Kucheruk e revisão científica e introdução de Aires Almeida. Mais informações...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Uma lição sobre ética kantiana


JML filosófica


Filosofia na JML
I. M. Nunes Tomé

Um blog regularmente actualizado com apontamentos, textos e trabalhos de filosofia de e para alunos do secundário. O seu autor, Nunes Tomé, professor na Escola Secundária Jaime Magalhães Lima, apresenta frequentemente artigos com interesse filosófico, publicados em jornais e revistas.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

O quadrado de oposição e o problema do livre-arbítrio

A afirmação «As nossas acções são livres» é particular ou universal? Parece não haver grandes dúvidas que é uma afirmação universal. 

Ora, qual é a negação da afirmação de que as nossas acções são livres? Como se pode confirmar pelo quadrado de oposição, a negação de «As nossas acções são livres» é uma particular negativa, mais precisamente: «Algumas das nossas acções não são livres».

Assim, se me perguntarem se as nossas acções são livres e eu responder que não, isso implica que não sou determinista moderado? A resposta é que não implica tal coisa, pois posso — como muitos deterministas moderados — defender que algumas das nossas acções são livres e que outras não o são. 

Mas isto sugere que a maneira correcta de formular o problema do livre-arbítrio talvez não seja por meio da pergunta «As nossas acções são livres?» Em vez disso, seria mais adequado perguntar «Temos livre-arbítrio?»

Ora, não é a mesma coisa perguntar se as nossas acções são livres e perguntar se temos livre-arbítrio. A diferença é que estas duas formulações nem sempre recebem respostas iguais, como se pode ver a seguir:



Determinista moderado
Determinista radical
Libertista
As nossas acções são livres?
NÃO
NÃO
SIM
Temos livre-arbítrio?
SIM
NÃO
SIM

Assim, precisamos de decidir qual a pergunta mais adequada, dado que não é indiferente optar por uma ou por outra.

Parece-me que a pergunta mais adequada é «Temos livre-arbítrio?» ou, o que vai dar ao mesmo, «Há livre-arbítrio?»

Não vos parece?

domingo, 21 de abril de 2013

S. Miguel


Em S. Miguel, o nosso manual será apresentado no Hotel Royal Garden no dia 27 de Abril (sábado), às 9:15 da manhã. Para se inscrever, clique aqui.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dedução e indução

No 50LF apresentamos brevemente a diferença entre a validade dedutiva e a validade indutiva; depois, no Livro de Apoio, explicamos mais detidamente algumas subtilezas a que temos de dar atenção para não cometer erros. Vale a pena recapitular algumas ideias centrais importantes, pois o mais recente teste intermédio de filosofia pode induzir em erro.

A primeira coisa a dizer é que alguns alunos trazem a ideia falsa de que nas deduções se parte do geral para o particular, ao passo que nas induções se parte do particular para o geral. As duas ideias são falsas, o que é fácil provar recorrendo a dois contra-exemplos simples:

Alguns estudantes são portugueses.
Logo, alguns portugueses são estudantes.

Todos os canários que vi são amarelos.
Logo, o canário do Luís é amarelo.

No primeiro caso, temos uma dedução, mas tanto a premissa como a conclusão são particulares e não gerais. No segundo, temos uma indução, mas a conclusão é particular ao passo que a premissa é geral. 

Estes contra-exemplos são também suficientes para mostrar que uma variante da ideia que muitos estudantes trazem está errada, nomeadamente, a ideia de que na dedução as premissas são mais gerais do que a conclusão e na indução as conclusões são mais gerais do que as premissas. 

Pondo de lado estas ideias erradas, qual é a diferença real entre dedução e indução? A diferença é algo subtil, pois envolve as intenções de quem raciocina ou argumenta, e não apenas o raciocínio ou argumento em si. Eis a definição correcta de raciocínio dedutivo e indutivo:
  • Um raciocínio é dedutivo se, e só se, se pretende que a sua validade exclua a possibilidade de ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.
  • Um raciocínio é indutivo se, e só se, se pretende que a sua validade torne improvável, mas não exclua, a possibilidade de ter premissas verdadeiras e conclusão falsa.
Como é evidente, nenhuma destas definições é particularmente operativa para alunos do ensino secundário, e isto não é o género de coisa que deveria ser avaliado em exames nacionais. O que se deve avaliar é apenas a distinção entre validade dedutiva e validade indutiva, pois neste caso as coisas não apenas são muito directas, como são operativas (pois está em causa compreender a própria validade). A diferença é esta:
  • Um raciocínio é dedutivamente válido se, e só se, é impossível que tenha premissas verdadeiras e conclusão falsa.
  • Um raciocínio é indutivamente válido se, e só se, não é impossível que tenha premissas verdadeiras e conclusão falsa, mas é improvável. 
Esconde-se aqui mais uma subtileza: "impossível" em que sentido? Há vários sentidos de possibilidade e impossibilidade: lógica, metafísica, física. A impossibilidade aqui em causa é a lógica. Mas o que é afinal tal coisa? Isso ultrapassa o âmbito deste apontamento, mas a minha posição é que não existe realmente tal coisa: a impossibilidade lógica é apenas composta de dois elementos: 1) a única impossibilidade real que existe, que é a metafísica, e 2) uma dada relação epistémica entre as premissas e a conclusão. Isto, contudo, é uma subtileza que, decididamente, não deve fazer parte do ensino secundário. 

Como se vê, a diferença entre validade dedutiva e validade indutiva é muito clara; e o seu domínio é operativo e importante para os alunos. Mas a distinção entre dedução e indução está longe de ser clara e operativa, pois envolve o conceito não-lógico de ter uma dada intenção. Efectivamente, para o dizer de maneira simples, os argumentos não têm em si qualquer característica que faça deles dedutivos ou indutivos; o que se passa é que quem apresenta tais argumentos tem em mente um padrão dedutivo de validade, ou então um padrão indutivo de validade. Mas o argumento em si não é dedutivo nem indutivo: é apenas um argumento em que há ou não há validade dedutiva ou validade indutiva. 

As pessoas não se dão muitas vezes conta da subtileza que envolve a definição de argumento dedutivo porque, estranhamente, se esquecem que há argumentos dedutivos inválidos. É o caso da afirmação da consequente, por exemplo:

Se Eça de Queirós nasceu em Paris, não nasceu em Portugal.
Ora, ele não nasceu em Portugal. 
Logo, nasceu em Paris.

Esta é uma dedução inválida, e por isso é incorrecto definir argumento dedutivo dizendo que nestes a conclusão se segue logicamente das premissas, ou algo equivalente a esta ideia. Por isso, é incorrecto contrastar a dedução com a indução dizendo que no primeiro caso a conclusão se segue logicamente das premissas, ao passo que no segundo isso não acontece. (Além disso, mesmo a definição de validade dedutiva em termos de a conclusão se seguir logicamente das premissas é inadequada porque é circular: quem precisa que lhe seja explicado o que é a validade dedutiva certamente não faz ideia alguma do que é isso de uma conclusão se seguir logicamente de premissas!)

Porque há argumentos dedutivos inválidos, tudo o que podemos dizer para explicar por que são dedutivos é que quem os apresentou tinha em mente o padrão de validade dedutiva; um argumento dedutivo inválido é dedutivo porque é um argumento dedutivamente válido falhado, digamos assim.

Em conclusão, talvez a insistência em pedir aos alunos para falar da diferença entre dedução e indução seja um resquício do tempo em que, erradamente, se pensava que a diferença era uma questão de se partir do geral para o particular ou ao contrário. Quando se vê claramente que isto é um erro, nada há de adequado para avaliar no que respeita a tal distinção, pois não só é demasiado subtil como é largamente irrelevante; o que é relevante e muito directo é a diferença entre a validade dedutiva e a validade indutiva, e é isso que deve ser trabalhado com os alunos e avaliado. 

O que pensam os colegas?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Teste intermédio de Filosofia

Foi realizado esta manhã o teste intermédio de Filosofia. Já se encontram disponíveis na página do GAVE tanto a versão 1 como a versão 2 da prova. E estão também disponíveis os critérios de gerais de classificação.

Mesmo uma leitura muito apressada do enunciado da prova permite concluir que há um enorme progresso em relação às provas do ano anterior: mais filosófica, mais centrada no essencial, mais equilibrada e sem os erros crassos da anterior. Boas perspectivas, portanto.

É certo que tem algumas coisas que merecem reparo, mas são sobretudo pormenores. A começar pelo Grupo I da versão 2, que tem duas perguntas de escolha múltipla que terão de ser anuladas. Não foram problemas de carácter científico, pois nota-se claramente que se trata de simples gralhas. Quanto ao resto, a formulação das perguntas 2.A e 2.B do Grupo II é algo infeliz, pois não fica imediatamente claro o que se pretende. Como infeliz é a pergunta 1 do Grupo IV, pois a expressão «conhecimento verdadeiro», naquele contexto, induz o aluno em erro, fazendo-o pensar que também há algo como conhecimento falso.

Das opiniões que ouvi de professores e alunos, parece que a prova é algo longa e ligeiramente mais difícil do que se estava à espera.

Seja como for, é uma prova decente e testa realmente conteúdos filosóficos. Ainda bem. 

50LF no Brasil também


Decorreu na semana passada o Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação, organizado pelo Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (Minas Gerais, Brasil). Fui convidado a participar no encontro com um mini-curso sobre avaliação das aprendizagens em filosofia, com a presença de professores do ensino secundário (ensino médio, no Brasil) e estudantes universitários de filosofia.

O mini-curso foi gravado em vídeo e, se não for tecnicamente demasiado complicado, talvez possam vir a ser aqui disponibilizados alguns excertos. Uma coisa é certa: no Brasil, o ensino da filosofia está cada vez mais na ordem do dia. Isso foi notório no próprio encontro, pois contou com a presença de professores de vários pontos, de norte a sul do Brasil.

Contudo, a coisa mais surpreendente (agradavelmente surpreendente, diga-se) foi verificar que vários professores acompanhavam o trabalho dos autores de A Arte de Pensar, usado em algumas escolas brasileiras, como também já conheciam o novíssimo 50LF, manifestando grande interesse em o adquirir. No sentido de satisfazer esses professores, a Didáctica Editora está a procurar uma solução para disponibilizar 50LF no Brasil a preços razoáveis.

Já agora, aproveito para partilhar um pormenor surpreendente: há professores no Brasil que chegam a ter 28 turmas. É, sem dúvida, um trabalho heróico. Mas não foi de todo surpreendente encontrar colegas e estudantes com grande qualidade. Também na filosofia precisamos de trabalhar em conjunto, pois podemos entender-nos muito bem, como pude confirmar.

domingo, 14 de abril de 2013

Aveiro


Em Aveiro, o nosso manual será apresentado no Hotel Meliã Ria no dia 20 de Abril (sábado), às 9:15 da manhã. Para se inscrever, clique aqui.

Alfafilos


Alfafilos é um blog que já tem vários anos e se mantém sempre atualizado, graças ao empenho de Sérgio Cortinhas, seu autor, que é professor no Externato Infante D. Henrique, em Braga. Especialmente destinado aos alunos de filosofia do secundário, inclui uma seleção criteriosa de textos, notícias, recomendações práticas, ligações, etc.

Nota: Esta indicação é um excerto do Livro de Apoio.

sábado, 13 de abril de 2013

Coimbra


O nosso manual será apresentado em Coimbra no Hotel D. Luís no dia 19 de Abril (sexta-feira), às 16:15. Para se inscrever, clique aqui.

Formação na Ilha da Madeira

Rolando Almeida irá dar um curso de formação sobre pensamento crítico e argumentação para professores e educadores de infância, a partir do próximo dia 4 de Maio. Mais informações no blog do autor.

Apontamentos: utilitarismo

Eis um pequeno apontamento organizador sobre o utilitarismo, como muitos que iremos aqui publicar. Clique na imagem para ver melhor.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

Braga


O nosso manual será apresentado em Braga no Hotel Meliã, no dia 17 de Abril (quarta-feira), às 16:15. Para se inscrever, clique aqui.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Boas páginas de filosofia


Páginas de Filosofia, de Rui Areal e Sérgio Lagoa
http://paginasdefilosofia.blogspot.pt

Este blogue, da autoria dos professores Sérgio Lagoa e Rui Areal, tem já os seus créditos bem firmados. É muito informativo e atento, com muito material interessante disponível.

Acaba de ser actualizado com uma boa notícia: a publicação da 2ª edição (revista e aumentada) do Manual de Filosofia Política, organizado por João Cardoso Rosas. Esta nova edição conta também com a colaboração de Rui Areal, um dos autores de Páginas de Filosofia.


Friedrich Nietzsche

Para viver sozinho é preciso que se seja um deus ou uma besta, diz Aristóteles. Deixando assim de lado o terceiro caso: é preciso que se seja ambos — um filósofo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Viseu


O nosso manual será apresentado em Viseu, no próximo dia 13 de Abril (sábado), às 9:15, no Hotel Montebelo. Para se inscrever, clique aqui.

Dicta & Contradicta

No Brasil publica-se uma revista cultural que dá particular atenção à filosofia, coisa que não existe infelizmente em Portugal. Essa revista chama-se Dicta & Contradicta e tem um blog animado por Júlio Lemos, entre outros colaboradores, que dá também particular atenção à filosofia. É uma boa fonte de informação e reflexão para todos nós.

domingo, 7 de abril de 2013

Castelo Branco


O nosso manual será apresentado em Castelo Branco no próximo dia 12 de Abril (sexta-feira), às 16:15 no Hotel Tryp Colina. Para se inscrever, clique aqui.

sábado, 6 de abril de 2013

Apresentação do 50LF

Eis uma apresentação de algumas das características do 50LF (clique na imagem para ler todos os diapositivos):


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A filosofia vai ao cinema... na net

Este é um blog algo diferente dos outros, pois procura introduzir a filosofia através dos filmes. O seu autor, Carlos Café, apresenta alguns guiões que permitem identificar e compreender melhor as ideias filosóficas que se podem encontrar em vários filmes. Mas há mais do que isso: pequenos diálogos filosóficos, textos filosóficos de alunos, música, etc. Único no género e muito recomendável.



NOTA: Mais um excerto do caderno do estudante e do livro de apoio ao professor.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Teorias medievais dos transcendentais

A Enciclopédia Stanford de Filosofia publicou hoje um novo artigo, dedicado às teorias medievais dos transcendentais. Apesar de não se tratar de um tema abordado no ensino secundário, será certamente uma importante contribuição para a formação filosófica geral de todos nós. 

O que é uma teoria dos transcendentais? Para isso temos de saber o que são os transcendentais, e a dificuldade é que ao longo da história da filosofia encontramos conceções diferentes, nem sempre compatíveis, de transcendentais. A ideia comum a todas é que um transcendental é algo como uma qualidade, atributo ou característica tão geral que é comum a tudo. A auto-identidade, por exemplo, é uma propriedade que todas as coisas têm; contudo, por se aplicar apenas a particulares (e não, por exemplo, a universais), alguns filósofos não considerarão que se trata de um transcendental. Aristóteles considera que a unidade era um transcendental, pois considerava que tudo, sem exceção, tinha unidade. 

Uma teoria dos transcendentais visa fazer duas coisas. Primeiro, estabelecer quais são afinal os transcendentais e como se definem. Os filósofos discordam aqui, havendo inclusivamente quem defenda que há hierarquias de transcendentais, o que à primeira vista poderá parecer incompatível com o próprio conceito de transcendental. Segundo, uma teoria dos transcendentais visa esclarecer o conceito de ser, dado que o ser é também um transcendental. A ideia é que se esclarecermos o que há de comum a tudo, teremos esclarecido o que é próprio do ser.

Fica a sugestão do que será certamente uma leitura enriquecedora.

Os meus agradecimentos ao João Paulo Maia, que encontrou duas gralhas neste texto.

É a vida...

A minha passagem no programa da +TVI, É a Vida Alvim!
Clicar na imagem para ver a gravação.


Filosofia na net: Madeira Torres

http://filosofianamadeiratorres.blogspot.pt
António Daniel

Mais um blog da autoria de um professor de filosofia do secundário, António Daniel, da Escola Secundária Madeira Torres (Torres Vedras). É um blog com actualizações regulares e uma boa diversidade de temas abordados. A visitar.


NOTA: Retirado do Caderno do Estudante e do Livro de Apoio de 50LF.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Utilitarismo dos atos e das regras

No 50LF não apresentamos a distinção entre utilitarismo dos atos e das regras. O professor que desejar fazê-lo, contudo, pode socorrer-se do Livro de Apoio, onde os seguintes esclarecimentos são apresentados.

Há duas maneiras bastante diferentes de desenvolver teoria utilitarista da ação correta: o utilitarismo das regras e o utilitarismo dos atos. É costume associar Mill ao utilitarismo dos atos, mas este parece inclinar-se mais para um utilitarismo das regras — acontece apenas que só no séc. XX a diferença foi completamente explicitada e foi o filósofo britânico R. M. Hare quem o fez.

O utilitarismo dos atos é a ideia de que uma ação é correta se, e só se, promove a maior felicidade para o maior número. Trata-se de uma aplicação direta da teoria utilitarista, ação a ação. Em contraste, o utilitarismo das regras concorda com a ideia anterior, mas acrescenta que precisamos de regras práticas porque não podemos estar o tempo todo a fazer tais cálculos. Assim, em cada caso banal da vida quotidiana, o utilitarismo das regras declara que não precisamos de estar a calcular qual será a ação que terá as melhores consequências: basta-nos seguir uma regra geral. Esta foi estabelecida pela nossa experiência: verificámos, ao longo do tempo, por exemplo, que mentir tem em geral piores consequências do que dizer a verdade. Assim, nas situações comuns da vida, em vez de nos perguntarmos se mentir terá melhores consequências do que não o fazer, por exemplo, limitamo-nos a seguir a regra já estabelecida por nós. 

Mill parece um utilitarista das regras devido a esta passagem do Utilitarismo:
“A proposição de que a felicidade é o fim e a meta da moralidade, não significa que não tenha de ser estabelecida uma rota para esse objetivo, ou que as pessoas que o procuram não devam ser aconselhadas a tomar uma direção em vez de outra. Os homens deviam realmente deixar de dizer sobre este assunto um certo tipo de disparates que não diriam nem escutariam sobre outras questões de ordem prática. Ninguém defende que a arte de navegar não se funda na astronomia porque os marinheiros não podem esperar para calcular o Almanaque Náutico. Sendo criaturas racionais, vão para o mar com ele já calculado; e todas as criaturas racionais vão para o mar da vida com decisões já tomadas sobre as questões mais comuns do correto e do incorreto, assim como sobre as bem mais difíceis questões relativas à prudência e à imprudência.”
John Stuart Mill, Utilitarismo,
trad. F. J. Gonçalves Azevedo, pp. 75-76.
Assim, do ponto de vista do utilitarismo das regras, estabelecemos regras gerais de conduta em função da maior probabilidade que têm de promover a felicidade e impedir a infelicidade do maior número de pessoas.

Quem explorou mais aprofundadamente a diferença entre o utilitarismo dos atos e das regras foi R. M. Hare, que distingue o nível intuitivo do nível crítico do raciocínio moral. O nível intuitivo é o que fazemos a maior parte do tempo, na vida comum: tomamos decisões sem pensar nas consequências, caso a caso; limitamo-nos a seguir regras gerais de conduta. Contudo, em casos especialmente problemáticos, passamos para o nível crítico do raciocínio moral e abandonamos as regras gerais algo simplistas que nos guiam na vida comum. Perguntamo-nos então o que é melhor fazer, em função das consequências daquela ação particular.

O uso de imagens no 50LF

As imagens podem por vezes ser úteis, ilustrando ou sugerindo ideias. Quando se ensina estética e filosofia da arte, elas são mesmo imprescindíveis. No 50LF procurámos utilizar criteriosamente as imagens, para que não sejam fonte de ruído, mas de informação. 

50LF teve a honra de contar com a autorização expressa de alguns artistas internacionais contemporâneos para reproduzir algumas das suas obras. Foi o caso do reputado artista Thierry Guetta (que costuma assinar as suas obras como Mr. Brainwash), a quem se agradece a gentileza.

Eis, por exemplo, uma das obras de Mr. Brainwash, usada no manual.


Já agora, aqui fica também a fonte de inspiração, da autoria do pintor arcadista do século XVIII, Thomas Gainsborough.



Datas para apreciação, selecção e adopção de manuais

A Direcção Geral da Educação já definiu, por circular, o período durante o qual deverá ser feita a apreciação, selecção e adopção de manuais escolares. Esse período será entre os dias 13 de Maio e 7 de Junho.

Note-se que é suposto os grupos disciplinares fazerem, durante esse período, três coisas: apreciar, seleccionar e, por fim, decidir qual adoptar.

Como autores, colocamo-nos naturalmente à disposição de todos os professores que queiram esclarecer qualquer dúvida ou obter qualquer informação adicional. Nós estaremos por aqui, sempre disponíveis, mesmo depois das adopções. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Imperativo hipotético e imperativo categórico

Aos professores que vierem a trabalhar nas suas aulas com 50 Lições de Filosofia será também facultado o manual digital. Este incluirá alguns recursos e materiais adicionais, que podem ser activados à medida que o manual for sendo percorrido. Aqui fica, a título de exemplo, um desses recursos (do Cap. 4, sobre ética), apenas disponível na versão digital do manual. 

Talvez esta tabela comparativa possa ajudar a arrumar melhor as ideias dos alunos na sua preparação para o teste intermédio do 11º ano, que é já no próximo dia 17 de Abril. Teste que, como é sabido, inclui matérias não só do 11º ano, mas também do 10º.


Clicar em cima da tabela para ampliar.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Porto


O nosso manual será apresentado no Porto no próximo dia 6 de Abril (sábado), na Fundação Engenheiro António de Almeida, às 9:15. Para se inscrever, clique aqui.

O que somos nós?


Acaba de ser publicado um novo livro de Richard Swinburne, um dos mais importantes filósofos contemporâneos e que, apesar da sua idade (nasceu em 1938, tem portanto 78 anos), continua muitíssimo ativo. Swinburne é conhecido entre nós devido ao livro Será Que Deus Existe?, publicado na Filosofia Aberta da Gradiva; na antologia Textos e Problemas de Filosofia (Plátano) encontramos também um excerto de outro livro seu, The Existence of God. Contudo, a maior parte da sua obra e pensamento continua largamente por descobrir entre nós. 

O seu novo livro tem por título Mind, Brain, and Free Will (mente, cérebro e livre-arbítrio). Com oito capítulos e pouco mais de 240 páginas, este é um livro sobre o que somos nós; como explica Swinburne na Introdução,
"O ponto fulcral deste livro é a natureza dos seres humanos — se somos apenas máquinas complicadas ou antes almas que interagem com corpos; e o que se segue disto no que respeita a termos livre-arbítrio num sentido que nos torne moralmente responsáveis pelas nossas ações."
Swinburne acrescenta então estar convicto de que estas questões centrais não podem ser adequadamente abordadas sem esclarecer vários problemas gerais de metafísica e ontologia. Deste modo, o primeiro capítulo começa precisamente por explorar algumas questões metafísicas, mais especificamente a questão ontológica central: que tipos mais gerais de coisas há? Swinburne é bastante conservador a este respeito e reconhece três tipos de coisas: substâncias, propriedades e acontecimentos. O crucial, contudo, são os critérios que Swinburne procura estabelecer para que algo seja uma substância, uma propriedade ou um acontecimento. É na posse de tais critérios que Swinburne poderá então explorar a questão de saber se os acontecimentos mentais (como ter medo) são idênticos a acontecimentos cerebrais (correntes elétricas e estados neuronais). 

O capítulo segundo é dedicado à epistemologia, e tem como tema central o problema do que faz uma dada crença (numa teoria científica, por exemplo, ou na ocorrência de um dado acontecimento) ser racional em vez de irracional (ou justificada em vez de injustificada). Com base nos resultados apresentados nos primeiros dois capítulos, Swinburne passa então a estudar os temas centrais do seu livro, defendendo, entre outras teses, que há dois tipos de acontecimentos no mundo (físicos e mentais), havendo relações causais nas duas direções (alguns acontecimentos mentais causam acontecimentos físicos, e vice-versa). As pessoas são substâncias e causam acontecimentos físicos, segundo Swinburne, o que significa que ele defende o dualismo da substância, tal como Descartes, e apesar de esta tese ser hoje muitíssimo impopular entre os filósofos. Swinburne defende também uma posição libertista, segundo a qual ter livre-arbítrio é dar início a uma nova cadeia causal sem que as cadeias causais anteriores tenham determinado a nossa escolha. Swinburne não defende que o livre-arbítrio está sempre presente quando agimos, mas que está presente apenas por vezes (nomeadamente, quando decidimos cuidadosamente o que fazer). Precisamente porque somos dotados de um livre-arbítrio libertista, Swinburne defende que nestas decisões somos realmente responsáveis moralmente, no sentido mais forte do termo, pelo que fazemos. 

Este é, pois, um livro pleno de ideias corajosas, estando a sua novidade não nelas mesmas, que são amplamente conhecidas na história da filosofia, mas na maneira de as defender com os recursos da filosofia contemporânea. E, como é de seu costume, Swinburne escreve com clareza e simplicidade, sem contudo sacrificar rigor concetual e lógico. Uma leitura muitíssimo recomendada para professores, que não apenas complementará a sua formação para lecionar o tema do livre-arbítrio e da ação humana, no 10.º ano, mas também alimentará a sua curiosidade intelectual e contribuirá para a sua formação humana.

Filosofia na net: Dúvida Metódica


Apesar da dúvida referida no título (duvida-metodica.blogspot.com), este é, sem dúvida, um dos mais recomendáveis blogs de filosofia destinados sobretudo a estudantes do secundário. Mesmo sendo um blog de apoio aos alunos dos autores, ambos professores na Escola Secundária Pinheiro e Rosa (Faro), é muitíssimo útil para todos os estudantes de filosofia e não só. Sempre actualizado e com materiais próprios de grande qualidade.



NOTA: Tanto o caderno do estudante como o livro de apoio ao professor, que fazem parte do projecto 50 Lições de Filosofia, contêm uma secção sobre filosofia na Internet. Este post é um excerto dessa secção. Outros se seguirão.