Um clássico da estética


Foi recentemente publicada a tradução portuguesa de um clássico da estética setecentista. Trata-se de Uma Investigação Filosófica Acerca da Origem das Nossas Ideias do Sublime e do Belo (Edições 70), do político e filósofo irlandês Edmund Burke. 

A tradução deste clássico do «século do gosto», como alguns historiadores da estética chamam ao século XVIII, esteve a cargo de Alexandra Abranches, Jaime Costa e Pedro Martins. Parece uma tradução cuidada e competente, contando também com uma introdução de Alexandra Abranches.

Esta obra é conhecida sobretudo por ter introduzido a distinção entre as categorias estéticas do belo e do sublime, tendo influenciado claramente Kant e outros filósofos.

A ideia que levou Burke a escrever este livro parte, nas próprias palavras do autor, da observação de «que as ideias do sublime e do belo eram frequentemente confundidas e ambas eram indiscriminadamente aplicadas a objectos que diferiam muito, e às vezes de natureza directamente oposta.» (p. 23)

A caracterização que Burke dá do sublime — e que, em termos gerais, é desenvolvida por outros autores, como Kant — é a seguinte: «Tudo o que de algum modo seja capaz de excitar as ideias de dor e de perigo, isto é, tudo o que seja de alguma maneira terrível, ou que diga respeito a objectos terríveis, ou que opere de uma forma análoga ao terror, é uma fonte de sublime, isto é, produz a emoção mais forte que a mente é capaz de sentir.» (p. 58)

O sublime, diferentemente do belo, causa os sentimentos de pequenez, de temor, reverência, assombro e admiração. Nas palavras de Burke: «Há uma grande diferença entre admiração e amor. O sublime, que é causa da primeira, é sempre suscitado por grandes e terríveis objectos; o segundo por pequenos e agradáveis. Submetemo-nos ao que admiramos mas amamos aquilo que se nos submete.» (p. 138).


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