Inferências: agora com exemplos

Aqui ficam os exemplos de inferências referidas no esquema apresentado no post anterior.




Vale a pena acrescentar quatro notas.

A primeira é que os termos «argumento», «inferência» e «raciocínio» são aqui usados aproximadamente como sinónimos. Há quem possa fazer aqui distinções subtis, mas não nos parecem didacticamente relevantes neste contexto.

A segunda é que há diferentes formas de classificar as inferências, sendo esta apenas uma delas. Por exemplo, a distinção entre inferências semânticas e conceptuais pode ser disputada. Todas as classificações têm vantagens e desvantagens. Esta não foge à regra. Contudo, algumas classificações são didacticamente indispensáveis. Neste caso, é importante fazer distinções pela razão simples de que diferentes tipos de inferências são avaliados de maneiras diferentes. Se não soubermos que tipo de inferência temos pela frente, torna-se mais difícil determinar se ela é ou não uma inferência válida (ou boa, ou forte). E é mais difícil ainda mostrar porquê.

A terceira prende-se com os nomes dados aos diferentes tipos de inferências. Em alguns casos há outras designações disponíveis. Por exemplo, também se chama «abdução» aos argumentos a favor da melhor explicação, e os argumentos por generalização são por vezes referidos como «argumentos por enumeração». A ideia aqui não é ser exaustivo quanto às designações usadas.

A quarta é que procurámos, sempre que possível, escolher exemplos com conteúdo filosófico, relacionados com as matérias leccionadas no secundário. Em alguns casos haveria exemplos mais simples e mais banais. Por exemplo, podia ter sido apresentado um argumento a favor da melhor explicação mais banal, como: «Se choveu, a rua está molhada. Ora, a rua está molhada. Logo, choveu». Apesar de formalmente inválido (exemplifica a conhecida falácia da afirmação da consequente), este argumento é frequentemente bom: muitas vezes, ter chovido é a melhor explicação disponível para a rua estar molhada.

Agora só falta dizer quais os critérios que, no caso das diferentes inferências não dedutivas, nos permitem decidir quando elas são válidas (ou boas, ou fortes) ou inválidas (ou más, ou fracas). Isso provavelmente irá ficar apenas para o novo manual digital do 11º ano, no qual estamos a trabalhar. 

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