quinta-feira, 13 de junho de 2013

A voz dos alunos: eutanásia


Os alunos também sabem pensar, usando informação relevante posta à sua disposição. Eis um exemplo, entre outros possíveis. Obrigado Francisco. Boas férias!

Será a eutanásia uma prática moralmente aceitável?

10º ano de Filosofia

Francisco de Sousa
Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes
Turma H

Neste ensaio, discute-se se a eutanásia é uma prática moralmente aceitável ou não. A posição que irá ser defendida é a de que esta prática só é moralmente aceitável a pedido do indivíduo ou num caso em que o mesmo esteja num estado vegetativo irreversível.

Para começar, precisamos de saber o que é a eutanásia. A palavra «eutanásia» vem do grego e significa morte feliz. Quem pratica a eutanásia mata ou deixa morrer uma pessoa para benefício dessa mesma pessoa. Isto levanta vários problemas éticos, como, por exemplo: será que tirar a vida a uma pessoa é moralmente correto, mesmo que seja para seu benefício? As opiniões são divergentes, o que faz da eutanásia um importante problema na atualidade.

 Existem vários tipos de eutanásia: eutanásia ativa, que é a ação de matar uma pessoa com vista a acabar com o seu sofrimento; eutanásia passiva, que implica deixar morrer uma pessoa por não lhe fornecer o que lhe é necessário para viver. Dentro destes dois tipos de eutanásia, há ainda a eutanásia voluntária, não voluntária e involuntária. A primeira só é praticada com o consentimento do paciente. A segunda é praticada quando o paciente não tem possibilidade de escolher, por exemplo, um paciente em coma ou um recém-nascido. A última é praticada contra a vontade do paciente.

Não faço qualquer distinção moral entre a eutanásia ativa e a passiva, pois, para mim, é indiferente a maneira como o paciente morre; o que interessa é que a sua vontade seja satisfeita quer seja por eutanásia ativa ou passiva.

Não sou adepto do consequencialismo nem do deontologismo, pelo que apoio que a eutanásia deva ser praticada como um exercício de compaixão pelo outro, quer este nos seja próximo ou não.

Estar vivo nunca foi uma lei. Ter liberdade sim. Uma pessoa tem todo o direito de acabar com a própria vida. Tem essa liberdade. Tirar a vida a uma pessoa é considerado um ato eticamente condenável. Todavia, se houver um acordo mútuo entre o praticante e o paciente, penso que o pedido de morte por parte do último seja uma expressão de liberdade. Restringir essa liberdade é que seria eticamente incorreto.

Existe uma objeção a esta prática, que é o facto de o nosso instinto mais básico ser o de sobrevivência, levando-nos a tudo fazer para não morrermos. De acordo com esta visão das coisas, a eutanásia seria antinatural, na medida em que nos aproximaria da nossa morte. A ser assim, seria inaceitável as pessoas fumarem, pois isso vai contra o nosso instinto de sobrevivência. No entanto, pelo que sei, fumar é permitido em todos os países, mas a prática de eutanásia não o é em todos. Por isso, de acordo com esta objeção, para «proibir» esta prática, seria necessário «proibir» também o tabagismo ou qualquer outra prática que pusesse em risco a nossa vida.

Outra objeção à prática da eutanásia é, no caso de algumas religiões, considerá-la uma violação do direito à vida, vida essa que foi criada por Deus e é esse Deus o único que a pode tirar. De modo a sustentar esta objeção religiosa, é preciso admitir que Deus existe, o que levanta um problema ainda maior. Por isso, não considero que seja uma boa objeção à prática da eutanásia.

Nós não passamos de poeira estelar, mas temos consciência; por isso, enquanto a temos, podemos escolher viver ou não. Contudo, um paciente não deve ser vítima de eutanásia involuntária, pois, na minha opinião, é uma violação do direito à vida de uma pessoa que deseja viver. Cada um é dono da sua vida. Mesmo que a eutanásia involuntária seja praticada para benefício do paciente, devemos respeitar a sua decisão e não interferir.

Em suma, não vejo nada de moralmente errado na prática da eutanásia voluntária, já que se poupa o sofrimento de uma pessoa, tirando-lhe a vida por vontade expressa. Apenas no caso de um estado vegetativo irreversível em que o paciente não pode escolher, apoio a eutanásia não voluntária, porque o paciente não retira qualquer benefício da sua própria vida e os recursos gastos com ele fazem falta a outros. 

5 comentários:

  1. Brilhante! Sua reflexão, Francisco de Souza, conforme comentado pelo(s) professor(es) é irretocável! Parabéns!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Um brilhante exemplo de como um ensaio deve ser redigido! Todos os argumentos abordados neste pedaço da perfeição foram absolutamente deslumbrantes! Parabéns, Francisco!

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  4. É isso mesmo puto! Sempre yolo!

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  5. Depois do meu sobrinho, Diogo Neves, me alertar acerca desta obra de génio, decidi passar os olhos pelo ensaio e penso que não surpreendo ninguém quando digo que o ponto de vista abordado por este aluno é simplesmente sensacional! O raciocínio do autor é, de facto, extraordinário! A maneira como o Francisco se projeta no assunto abordado dando a sua opinião, mas no entanto conseguindo manter a imparcialidade é fenomenal, definitivamente! Parabéns, Francisco, desejo-lhe um futuro próspero na vida e um apelo para voltar a redigir artigos apaixonantes como este!

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