Kuhn e o clube de fans do paradigma


Há já vários anos que se publicou um livro meu, A Estrutura das Revoluções Científicas. As reacções foram variadas e, por vezes, estridentes, mas o livro continua a ser amplamente lido e muito discutido. Fiquei muito satisfeito pelo interesse que originou, incluindo grande parte da crítica. Contudo, um aspecto da reacção tem-me consternado, por vezes. Ao ouvir conversas, particularmente entre os entusiastas do livro, é-me por vezes difícil acreditar que todos os participantes tenham lido o mesmo volume. Parte da razão do sucesso do livro, concluo com pesar, deve-se a que ele pode ser quase tudo para toda a gente. 
Dessa plasticidade excessiva, nenhum aspecto do livro é tão responsável como a introdução, que faz do termo «paradigma» uma palavra que, nas suas páginas, figura mais vezes do que qualquer outro, exceptuando as partículas gramaticais. [...] As críticas, sejam compreensivas ou não, têm sido unânimes em acentuar o grande número de diferentes sentidos em que o termo é usado.

Thomas Kuhn, A Tensão Essencial 

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