O conceito de proposição

Eis mais um exemplo do género de materiais complementares disponíveis exclusivamente para professores no Livro de Apoio do nosso manual.


O conceito actual de proposição é muito diferente do conceito medieval. Alguns filósofos medievais, na sequência de Boécio, usavam o termo propositio no sentido em que usamos hoje o termo “frase” e em que outros usavam dicta: uma entidade física que exprime ideias, como é o caso de símbolos escritos num papel ou sons proferidos por alguém. Antes disso, os estóicos tinham também distinguido claramente as duas coisas, o que não parece ocorrer no caso de outros filósofos da antiguidade grega. Os estóicos chamavam lekta ao meio de expressão das ideias, a que hoje chamamos frase, e axiomata ao que hoje chamamos proposição, ou seja, as ideias que exprimimos com as frases.

A partir do renascimento, os filósofos afastaram-se da noção de proposição, que entendiam no sentido de Boécio, defendendo que nos interessa não a expressão verbal das ideias, mas as ideias em si. Por isso, introduziram um termo novo: juízo. Do ponto de vista dos filósofos modernos, a propositio é apenas a expressão verbal do juízo; do ponto de vista actual, é a frase que é a expressão verbal da proposição, sendo esta o mesmo que o juízo (termo que passou a ser preterido devido às suas conotações psicológicas: não queremos falar do ato subjectivo de ajuizar, mas do conteúdo desse acto).


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