Mar Adentro: eutanásia



Mar Adentro (2004, 125 minutos) é um belíssimo e tocante filme, baseado na história real do espanhol Rámon Sampedro (1943-1998). Realizado por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no principal papel, é um filme inesquecível, pleno de arte e de vida, maximamente dramático, mas que nunca cai no sentimentalismo. Real e inesperado como a vida.

É adequado para ser usado pelos professores para promover uma discussão de ética em sala de aula. Ao invés de se discutir apenas a questão da moralidade ou imoralidade do suicídio assistido, o professor pode pedir aos alunos que reflictam no problema com base no que aprenderam sobre as éticas de Mill e Kant.

Assim, o problema é o seguinte:
Que espaço teórico têm as teorias de Mill e Kant para justificar uma resposta positiva ou negativa quanto à moralidade do suicídio assistido de Rámon? Se um defensor da teoria de Kant considera que o suicídio assistido de Rámon é (i)moral, que espaço lhe dá a sua teoria normativa para justificar essa resposta? E como serão as coisas, no caso da teoria de Mill?
Estas questões conceptuais e teóricas são diferentes da questão histórica de saber o que pensam os deontologistas e os utilitaristas sobre o suicídio assistido. O próprio Kant considerava o suicídio imoral e tenta explicar que envolve uma violação do imperativo categórico, na Fundamentação. Mill nunca se pronunciou sobre a moralidade do suicídio, mas no Sobre a Liberdade dá o exemplo de alguém que insiste em passar por uma ponte que sabe que irá cair, defendendo que seria incorrecto impedi-la de o fazer, o que parece indicar que pensava que seria incorrecto impedir alguém como Rámon de se suicidar com a ajuda dos amigos. Contudo, Mill defendia também que uma pessoa vender-se voluntariamente como escravo era inaceitável moralmente, argumentando que tal decisão seria irreversível (coisa que o suicídio obviamente também é). A questão histórica é diferente da questão conceptual: diferentes deontologistas e utilitaristas têm diferentes posições perante o suicídio assistido. A nossa proposta é fazer os alunos explorar por si mesmos diferentes justificações deontológicas e utilitaristas das respostas positivas e negativas quanto à moralidade do suicídio assistido, partindo do extraordinário e inesquecível filme de Alejandro Amenábar sobre o tocante caso real de Rámon Sampedro.

Comentários

  1. Simplesmente espetacular o filme. Já conhecia. Gosto muito. Sua abordagem em relação a orientação dada aos alunios tb eh muito boa. Assim eles tem de questionar a si mesmos e ao que estão lendo e vendo em relação a vida e a sociedade. Parabéns

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