Uma lição sobre ética kantiana


Comentários

  1. Para começar, é pena a tradução de “will” por “desejo”; o leitor menos experimentado poderá facilmente ser enganado, já que uma das principais funções da vontade é precisamente a de orientar o desejo.
    Depois, parece-me que o argumento de Sandel é muito forçado. Não conheço a resposta de Kant a Constant, mas a ser como Sandel diz ela é totalmente coerente com a Razão Prática. Não vejo, por isso, qual o objectivo de pôr em causa a resposta dada por Kant (deveria dizer a verdade) através de um argumento que, suposta e contraditoriamente, o próprio Kant poderia advogar. Que a resposta de Kant seja discutível parece evidente, mas esta experiência mental só parece poder ser usada como uma objecção a Kant, e não, como é feito, como ponto de partida para um argumento que acabe por mostrar a possibilidade da conformidade do pensamento de Kant à hipótese de Sandel.
    O argumento parece basear-se na assunção que são distintas estas duas situações: dizer uma mentira, cujo objectivo é enganar alguém, e dizer a verdade, embora tendo por objectivo enganar alguém. Concordaria Kant com ela?
    Penso que não. A seguinte citação da Metafísica parece-me que não deixa dúvidas. “Ponhamos, por exemplo, a questão seguinte: — Não posso eu, quando me encontro em apuro, fazer uma promessa com a intenção de a não cumprir? Facilmente distingo aqui os dois sentidos que a questão pode ter: — se é prudente, ou se é conforme ao dever, fazer uma falsa promessa”. Fazer uma promessa com a intenção de a não cumprir e fazer uma falsa promessa são afinal a mesma coisa.

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    1. Quanto à tradução de "will" por "desejo" e "to will" por "desejar", está completamente errada. Estas traduções erradas, muitíssimo erradas, ocorrem infelizmente muitas vezes. "Will" tem de ser "querer" ou "vontade" e nunca "desejo", e não apenas por ser Kant, mas porque está linguisticamente errado. Em inglês, "to will" não é desejar, mas antes querer; ora, querer algo e desejar algo são coisas bastante diferentes, pois uma pessoa pode desejar o que não quer e querer o que não deseja.

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    2. Já encontrei a resposta de Kant, aqui fica para os interessados :)
      http://duvida-metodica.blogspot.pt/2009/05/devemos-mentir-para-salvar-vida-de-um.html
      Parabéns já agora ao Carlos e à Sara.

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  2. Estas traduções que se encontram na net têm geralmente muitas deficiências, pois são feitas um bocado à matroca. Mas se não houver legendas também não vale a pena estar a colocar aqui.

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