Teste intermédio de Filosofia

Foi realizado esta manhã o teste intermédio de Filosofia. Já se encontram disponíveis na página do GAVE tanto a versão 1 como a versão 2 da prova. E estão também disponíveis os critérios de gerais de classificação.

Mesmo uma leitura muito apressada do enunciado da prova permite concluir que há um enorme progresso em relação às provas do ano anterior: mais filosófica, mais centrada no essencial, mais equilibrada e sem os erros crassos da anterior. Boas perspectivas, portanto.

É certo que tem algumas coisas que merecem reparo, mas são sobretudo pormenores. A começar pelo Grupo I da versão 2, que tem duas perguntas de escolha múltipla que terão de ser anuladas. Não foram problemas de carácter científico, pois nota-se claramente que se trata de simples gralhas. Quanto ao resto, a formulação das perguntas 2.A e 2.B do Grupo II é algo infeliz, pois não fica imediatamente claro o que se pretende. Como infeliz é a pergunta 1 do Grupo IV, pois a expressão «conhecimento verdadeiro», naquele contexto, induz o aluno em erro, fazendo-o pensar que também há algo como conhecimento falso.

Das opiniões que ouvi de professores e alunos, parece que a prova é algo longa e ligeiramente mais difícil do que se estava à espera.

Seja como for, é uma prova decente e testa realmente conteúdos filosóficos. Ainda bem. 

Comentários

  1. Sim. Além disso:

    O texto de Hume não foi bem escolhido, embora os alunos depois até consigam responder à pergunta.

    Os critérios de correção pedem, na 7 da escolha múltipla, para considerar correta a frase "Apenas crenças verdadeiras podem ser justificadas".

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    1. É uma confusão comum, mas um erro filosófico, pensar que só as crenças verdadeiras estão justificadas. A justificação não é factiva: há crença falsas justificadas. Uma crença está justificada quando temos boas razões a seu favor, mesmo que a crença seja falsa.

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    4. Já agora, o que acham da 7.2?
      "O conhecimento é sempre uma crença partilhada, considerando que implica um sujeito e um objeto."
      Parece-me ambígua...
      O Entimema parece ser este: Se há conhecimento, há sujeito e objecto. Se há sujeito e objecto então há crença partilhada. Logo, se há conhecimento, há crença partilhada.
      Será verdadeira a segunda premissa?
      Que eu saiba, só se faz referência a crenças partilhadas, no programa, no tema da intersubjectividade, sendo que essa matéria não faz parte dos conteúdos a testar nem foi ainda dada na maioria das Escolas, pelo que não vejo qual o conteúdo filosófico que se quer aqui avaliar.
      O que significa exactamente crença partilhada?
      Partilhada por sujeito e objecto? Nesse caso o enunciado é incorrecto, porque só o sujeito tem crenças.
      Mas parece-me que o enunciado também se pode entender como “partilhada entre sujeito e objecto” e, a ser assim, teríamos que o relacionar com o conteúdo relevante para esta temática: não haver conhecimento sem sujeito e objecto, o conteúdo que seria legítimo esperar ser avaliado nesta pergunta. Neste caso, teríamos que considerar correcto o enunciado.

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    5. É apenas um jogo de palavras de mau gosto dizer que a crença é partilhada por envolver um sujeito e um objecto, pois seria como dizer que em partilho a minha casa com o meu sofá. Os sofás não são agentes, ainda que num sentido mínimo, pelo que é ridículo dizer que partilhamos algo com um sofá, ainda que num sentido mínimo seja adequado dizer que partilhamos a casa com um gato.

      Portanto, é inadequado e infeliz querer que o aluno considere que a crença é sempre partilhada porque envolve um sujeito e um objecto, uma vez que muitos objectos de crenças não são agentes com os quais possamos partilhar seja o que for.

      Este é o primeiro problema dessa afirmação. Trata-se de um mero jogo de palavras de gosto duvidoso.

      Mas o maior problema não é esse. O maior problema é que o que se está a avaliar é uma banalidade sem qualquer relevância filosófica: que quando alguém crê em algo, há duas coisas: a pessoa que tem a crença e o objecto dessa crença. Isto é ridiculamente banal, é destituído de interesse e não tem qualquer operacionalidade para compreender ou discutir qualquer conteúdo genuinamente filosófico que possamos imaginar.

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    6. Na verdade o GAVE considera o enunciado incorrecto, pelo que quer que o aluno considere que “O conhecimento nem sempre é uma crença partilhada”. Mas o problema mantém-se, de acordo: jogo de palavras e irrelevância. Já agora, há alguma maneira de editarmos as mensagens no blog? Cada vez que quero fazer uma pequena alteração tenho que copiar, apagar a mensagem, colar numa nova e fazer as alterações...

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    7. Menos mal, mas mesmo assim 1) é banal que o conhecimento nem sempre é partilhado e 2) é enganador dizer que o conhecimento é uma crença, pois o que acontece (se aceitarmos que o conhecimento é uma crença verdadeira justificada, ou que envolve tais coisas) é que o conhecimento envolve ou inclui a crença, o que é muito diferente de dizer que o conhecimento é uma crença. Do mesmo modo, a água é H2O, mas daqui não se segue que a água é hidrogénio, apenas envolve ou inclui ou é formada por hidrogénio.

      Infelizmente, não há maneira de editar os comentários neste blog, lamento.

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  2. Terei de ver melhor a prova, Carlos, pois apenas dei uma vista de olhos de relance (tive reunião de grupo toda a tarde).

    Mas parece claro que é uma prova claramente melhor do que as anteriores e, em geral, uma boa prova. Penso que esse é o aspecto mais importante a assinalar, para já.

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  3. «Parece claro que... é uma prova claramente melhor...»

    Quem foi o tolo que escreveu isto?

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  4. Aproveito para deixar aqui uma sugestão de uma prática que tenho há anos e que me ajuda a analisar um pouco melhor exames de avaliação externa. consiste em eu próprio realizar o exame como se fosse aluno, sem recurso aos critérios de correcção. Por essa razão somente hoje consegui pegar na primeira parte do exame. E consegui responder a todas as questões. Pode parecer irrelevante, mas este pequeno exercício ajuda-me a conseguir ver melhor algumas ambiguidades. Na verdade nem sempre acerto em todas as questões. Fiz a Versão 1 e claro está que hesitei na questão 7 exactamente pelas razões apontadas pelo Nuno Lopes.

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    1. Essa prática é muito boa. Eu faço o mesmo com todos os testes que faço aos alunos: eu próprio os faço.

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