Teorias medievais dos transcendentais

A Enciclopédia Stanford de Filosofia publicou hoje um novo artigo, dedicado às teorias medievais dos transcendentais. Apesar de não se tratar de um tema abordado no ensino secundário, será certamente uma importante contribuição para a formação filosófica geral de todos nós. 

O que é uma teoria dos transcendentais? Para isso temos de saber o que são os transcendentais, e a dificuldade é que ao longo da história da filosofia encontramos conceções diferentes, nem sempre compatíveis, de transcendentais. A ideia comum a todas é que um transcendental é algo como uma qualidade, atributo ou característica tão geral que é comum a tudo. A auto-identidade, por exemplo, é uma propriedade que todas as coisas têm; contudo, por se aplicar apenas a particulares (e não, por exemplo, a universais), alguns filósofos não considerarão que se trata de um transcendental. Aristóteles considera que a unidade era um transcendental, pois considerava que tudo, sem exceção, tinha unidade. 

Uma teoria dos transcendentais visa fazer duas coisas. Primeiro, estabelecer quais são afinal os transcendentais e como se definem. Os filósofos discordam aqui, havendo inclusivamente quem defenda que há hierarquias de transcendentais, o que à primeira vista poderá parecer incompatível com o próprio conceito de transcendental. Segundo, uma teoria dos transcendentais visa esclarecer o conceito de ser, dado que o ser é também um transcendental. A ideia é que se esclarecermos o que há de comum a tudo, teremos esclarecido o que é próprio do ser.

Fica a sugestão do que será certamente uma leitura enriquecedora.

Os meus agradecimentos ao João Paulo Maia, que encontrou duas gralhas neste texto.

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