Bem último e ação correta


Valorizamos muitas coisas: gostamos de cinema, por exemplo, ou de filosofia. De tudo o que valorizamos, muitas valorizamo-las apenas instrumentalmente. Por exemplo, valorizamos as vacinas apenas porque valorizamos a saúde. Mas valorizamos a saúde porquê? Talvez possamos dizer que é porque a saúde é importante para nos sentirmos felizes. Nesse caso, a felicidade é importante porquê?
Este é o problema do bem último. Qual é o bem em função do qual valorizamos todas as outras coisas como meios?
Ora, as nossas ideias morais têm sempre a ver com os conceitos de bem e de mal. Quando as pessoas condenam o uso da minissaia é porque pensam que usar minissaia é mau; quando defendemos a igualdade das mulheres é porque pensamos que isso é bom. Assim, temos de esclarecer o que é o bem último para podermos justificar adequadamente as nossas ideias morais.
Quando as pessoas condenam o uso da minissaia por ser imoral, não querem apenas dizer que usar minissaia é mau. Querem também dizer que é incorreto usar minissaia. Mas o que distingue as ações corretas das incorretas? Qual é o critério que nos permite fazer essa distinção adequadamente?
Este é o problema da ação correta. Trata-se de saber que caraterísticas fazem uma ação ser correta e outra incorreta.
O problema do bem último e o problema da ação correta estão relacionados. Isto porque é natural pensar que as ações corretas promovem o bem, e as incorretas promovem o mal.
Assim, o problema da fundamentação da moral reduz-se a duas perguntas: o que é o bem último? E qual é o critério da ação correta? Estas são as duas perguntas centrais da ética. Para justificar adequadamente as nossas ideias morais, temos de ter respostas plausíveis a estas duas perguntas. As duas teorias que vamos estudar respondem de maneira muito diferente nos dois casos.

Ética utilitarista de Mill Ética deontologista de Kant
Qual é o bem último? A felicidade A vontade boa
Qual é o critério da ação correta? As consequências O imperativo categórico

Comentários

  1. As etiquetas são um pequeno pormenor, mas quando um blogue tem muitos posts são fundamentais. Daqui a uns meses não será fácil encontrar este post só com a etiqueta "Ética".

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  2. Obrigado pela sugestão, Carlos. A nossa ideia era ter apenas etiquetas muito amplas, pois o leitor pode usar a caixa de procura para encontrar coisas mais específicas, dentro de cada etiqueta. Mas vamos repensar esta organização, graças a ti! Obrigado!

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  3. Uma solução para dar seguimento à sugestão do Carlos Pires evitando o problema que refere o Desidério, é utilizar dois tipos de etiquetas: o blogger permite seleccionar as etiquetas que se quer apresentar, pelo que é possível tem uma widget de etiquetas mais amplas e outra ara coisas mais específicas. Esta opção é muito útil, por exemplo, para diferenciar widgets com as etiquetas exclusivamente de autores, exclusivamente de disciplinas da filosofia ou outras que queremos diferenciar.

    Já agora, parabéns pelo manual: acabo de fazer a inscrição para 6 de Janeiro, no Porto. Abraço!

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    1. Obrigado, Sérgio. Lá estarei, no Porto. Vou ter o gosto de te conhecer pessoalmente.Um abraço!

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    2. Obrigado pela ajuda, não sabia desta funcionalidade do Blogger!

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  4. Vale a pena acrescentar que este texto é retirado do próprio manual, a título de divulgação e exemplo do que os professores poderão ler por eles mesmos dentro de alguns dias. Neste blog iremos obviamente publicar textos e esclarecimentos que complementam o manual, e não apenas excertos do próprio manual, o que não faria sentido. Mas tantos têm sido os professores a manifestar curiosidade quanto ao manual, que resolvemos dar já a conhecer alguns dos seus conteúdos.

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  5. Não consigo perceber o que é o bem último. Sou aluna do 10º ano e a minha escola adotou este manual. Infelizmente não consigo entender o que querem dizer com o bem último, a minha dúvida é se o que consideram o problema do bem último é o que é o bem último, muito obrigada.

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  6. Não consigo perceber o que é o bem último. Sou aluna do 10º ano e a minha escola adotou este manual. Infelizmente não consigo entender o que querem dizer com o bem último, a minha dúvida é se o que consideram o problema do bem último é o que é o bem último, muito obrigada.

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    1. O problema do bem último é este: qual é aquela coisa (ou actividade ou seja o que for) que é um bem em si mesma, e não apenas porque é um meio para outra coisa que é um bem?

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