domingo, 17 de abril de 2016

Metal filosófico

Nos dias 8 e 9 de abril tiveram lugar na Escola Didáxis - Riba de Ave, as V Olimpíadas Nacionais de Filosofia, cujos resultados foram os seguintes:


Medalha de Ouro (centro) - Frederico Saleiro Cardoso (Colégio Cedros, Vila Nova de Gaia)
Medalha de Prata (esquerda) - Alexandre Eira (ES Virgílio Ferreira, Lisboa)
Medalha de Bronze (direita) - Tiago Luís Resende (ES Amadora, do AE Pioneiros da Aviação Portuguesa.


Menções Honrosas:
Andreia Isabel Vitorino (ES Dr. Ginestal Machado, Santarém)
João Miguel Sousa (Colégio Pedro Arrupe, Lisboa)
Beatriz Gouveia de Jesus (Colégio Guadalupe, Seixal)



Parabéns aos vencedores, que irão representar Portugal nas Olimpíadas Internacionais, a realizar no próximo mês de maio na cidade belga de Gand. Estão de parabéns também todos os outros participantes, seus acompanhantes e os organizadores.

As fotos aqui usadas foram retiradas da página de FaceBook da Prosofos, responsável pela organização anual das Olimpíadas de Filosofia.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Um novo canal de filosofia em português

Tem apenas dois meses, mas já promete. Trata-se do canal SciFilo, da responsabilidade do jovem brasileiro Kherian Gracher. Vale muito a pena subscrever. É grátis e tem qualidade!

Eis um exemplo, para confirmar.

terça-feira, 22 de março de 2016

A filosofia na cidade

BBC Radio 4 lança um programa de filosofia pública chamado The Global Philosopher. Cada episódio é uma sessão de filosofia pública, dirigida pelo conhecido filósofo Michael Sandel, da Universidade de Harvard, e com a participação por videoconferência de pessoas de todo o mundo. A gravação em vídeo do primeiro episódio foi editada e disponibilizada online na página da BBC. Este primeiro episódio foi sobre o problema da imigração e dos refugiados e tem a duração de aproximadamente meia-hora.


É pena ser em inglês e não haver tradução para português, mas pode, mesmo assim, ser útil para muitos professores e alunos, até porque é uma excelente sugestão para tratar no âmbito dos temas/problemas do mundo contemporâneo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Olimpíadas nacionais de filosofia 2016

As inscrições para as V Olimpíadas Nacionais de Filosofia já estão abertas e o prazo para se inscreverem termina no dia 26 de fevereiro.
Os alunos interessados terão pedir aos seus professores que o façam e estes poderão preencher a ficha diretamente aqui.
As Olimpíadas deste ano decorrerão nos dias 8 e 9 de abril na Didáxis - Cooperativa de Ensino, em Riba D'Ave.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Prémio Ensaio Filosófico SPF 2015

A Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF) acabou de divulgar o vencedor do Prémio Ensaio Filosófico de 2015. Eis o comunicado da SPF.

A edição de 2015 do Prémio SPF, promovido pela Sociedade Portuguesa de Filosofia com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, colocou a concurso uma questão no âmbito da metafísica: Em que consiste a identidade pessoal ao longo do tempo?

É com satisfação que se anuncia que o vencedor do prémio, no valor de dois mil euros, é Hugo Ferreira Luzio, autor do ensaio “A Continuidade Física Garante a Persistência Pessoal no Tempo”.


Hugo Ferreira Luzio frequenta a licenciatura em Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde integra o Grupo de Estudos Políticos e o grupo de discussão filosófica Argument Clinic. Em 2014, obteve uma menção honrosa nas III Olimpíadas Nacionais de Filosofia e, no ano seguinte, uma medalha de bronze nas I Olimpíadas Iberoamericanas de Filosofia. Foi o vencedor do Prémio Prof. Doutor Joaquim Cerqueira Gonçalves 2015, promovido pela revista Philosophica, com o ensaio “Sonicismo Tímbrico e Instrumentalismo: Uma Disputa Ontológica”.

No ensaio premiado, Hugo Ferreira Luzio examina diversas perspectivas sobre a natureza da identidade pessoal, criticando os critérios psicológicos mais salientes na literatura filosófica, bem como alguns dos critérios fisiológicos. Acaba por defender, como resposta ao problema do concurso, um critério corpóreo segundo o qual a identidade pessoal consiste numa relação causal de continuidade física bruta.

Os ensaios foram avaliados, sem conhecimento da identidade dos seus autores, por um júri composto por André Barata (Universidade da Beira Interior), Carlos João Correia (Universidade de Lisboa), Mattia Riccardi (Universidade de Bona), Pedro Galvão (Universidade de Lisboa) e Rui Sampaio Silva (Universidade dos Açores). Além de ter decidido, por maioria, premiar o ensaio “A Continuidade Física Garante a Persistência Pessoal no Tempo”, o júri decidiu ainda, por unanimidade, atribuir uma menção honrosa ao ensaio “Suportes e Processos: Uma Aproximação Metodológica e Substantiva ao Problema da Nossa Identidade ao Longo do Tempo”, de Oscar Horta, professor na Universidade de Santiago de Compostela.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Formas lógicas inválidas

Quando temos uma forma lógica válida, como o modus ponens, todos os argumentos que tiverem essa forma lógica serão válidos. Se exprimirmos o modus ponens na sua máxima generalidade, com variáveis de fórmula (Se A, então B; A; logo, B), isso significa que por mais complexos que sejam os argumentos, serão válidos. E o mesmo acontece com as formas lógicas menos gerais que tiverem essa configuração geral:

(p ∧ r) ➝ (r ∧ p)
p ∧ r
∴ r ∧ p

Contudo, quando uma forma lógica é inválida isso significa apenas que alguns argumentos com essa forma lógica são inválidos — e não todos. E se exprimirmos uma forma inválida com variáveis de fórmula (Se A, então B; B; logo, A), isso significa que algumas formas lógicas mais particulares que tenham esta configuração geral serão inválidas, mas não todas:

(p ∧ r) ➝ (r ∧ p)
r ∧ p
∴ p ∧ r

Esta forma lógica tem a configuração geral da falácia da afirmação da consequente, mas é válida.

Talvez isto seja surpreendente para algumas pessoas. Sempre que uma forma lógica é inválida isso significa apenas que alguns argumentos ou formas lógicas mais particulares são inválidos, mas não todos. Os casos em que isto acontece são muitos. Por exemplo, “P, logo Q” é uma forma inválida, mas o argumento “Alguns filósofos são gregos, logo alguns gregos são filósofos” é válido e tem essa forma; e o mesmo acontece com o argumento “Deus é um existente necessário, logo existe”. E o mesmo poderíamos dizer com respeito à forma lógica mais geral “A, logo B”: as formas “Alguns F são G, logo alguns G são F”, assim como “É necessário que P, logo P”, são válidas, apesar de terem uma configuração mais geral inválida.

Em que pé isto nos deixa com respeito aos inspectores de circunstâncias (sequências de tabelas de verdade)? Quando fazemos um inspector e vemos que aquela forma é válida, todas as formas menos gerais e todos os argumentos com essa forma são válidos; mas quando fazemos um inspector e vemos que uma dada forma é inválida, isso significa apenas que alguns argumentos e algumas formas lógicas menos gerais com essa forma são inválidos, e não que todos o são. Assim, o inspector de “Se A, então B; B; logo, A” diz-nos correctamente que algumas formas lógicas e alguns argumentos com esta forma são inválidos. E isto é compatível com a validade de “Se (p e r) então (r e p); (r e p); logo, (p e r)”. Esta forma lógica é uma das que são válidas, mas há outras com aquela configuração geral que são inválidas, e é por isso que a afirmação da consequente é uma forma geral inválida.

Em suma, não devemos pensar que encontrar uma forma inválida é sinónimo de estabelecer que qualquer argumento ou forma com essa configuração mais geral é inválido. Só estabelecemos que não é verdadeiro que todos os argumentos ou formas com essa configuração são válidos, nada mais. Em contraste, se encontramos uma forma válida, todos os argumentos ou formas com essa configuração geral serão válidos.

domingo, 29 de novembro de 2015

Moral kantiana: uma precisão


A Lição 18 do manual do 10.º ano, intitulada "Kant e a vontade boa" (pp. 76-78) apresenta a distinção kantiana entre as ações que são contrárias ao dever e as ações que estão de acordo com o dever, sendo que estas se dividem, por sua vez, entre as que são meramente conformes ao dever e as que são realizadas por dever (ver esquema da p. 78). 

Como aí se explica, só as ações que são realizadas por dever têm valor moral. Mas daí não se segue que aquelas que são meramente conformes ao dever sejam moralmente incorretas (ou imorais), pois as ações que não são moralmente corretas podem também, de acordo com Kant, não ser moralmente incorretas. 

Apesar de isto estar devidamente apresentado nessa lição e de ser consistente com o que se diz nas lições seguintes, há na p. 77 uma imprecisão claramente infeliz e enganadora, que deve ser corrigida. Aí se diz, a propósito do conhecido exemplo kantiano do comerciante, que ações como a de não enganar os clientes por medo de ser apanhado são moralmente reprováveis. O que se devia ter dito é que não têm valor moral, ou que não são moralmente corretas (como se diz a seguir) e não que são moralmente reprováveis.

Fomos alertados para esta infeliz imprecisão pelo colega Carlos Pires (professor da E.S. Laura Ayres, da Quarteira), a quem agradecemos o muito justificado reparo.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Informação-Prova para o exame nacional de Filosofia de 2016

Foi publicada há dias na página do IAVE a Informação-Prova para o exame de Filosofia de 2016 (clicar AQUI).

Uma primeira leitura permite concluir que é praticamente igual à do ano passado, pelo menos no que diz respeito à caracterização da prova e à lista de conteúdos a avaliar. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lógica & metafísica

Aqui na Universidade Federal de Ouro Preto estamos começando agora um novo semestre, no qual lecciono Lógica e Metafísica. Estou usando com os alunos, nos dois casos, os primeiros rascunhos dos meus dois livros introdutórios a essas áreas. Entretanto, lembrei-me que mais alunos e colegas poderão ter interesse em ter acesso aos capítulos que vou disponibilizando aos meus alunos.

Assim, quem desejar pode ler esses capítulos e enviar-me críticas e sugestões; são muito bem-vindas. O primeiro capítulo de lógica está aqui, e o primeiro capítulo de metafísica está aqui. Espero que seja uma leitura proveitosa.