quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Janelas para a filosofia

O livro Janelas Para a Filosofia, dos autores deste blogue, começa hoje a ser distribuído pelas livrarias de todo o país e já pode ser encomendado na página da Gradiva (com desconto e portes grátis). Deixamos abaixo um pequeno excerto, para se poder ficar com uma ideia.


As éticas deontológicas são muito rígidas; as consequencialistas são um pouco mais flexíveis. Mas em ambos os casos temos teorias concebidas em termos quase científicos: como se fossem teorias da geometria ou da física. Estas teorias são generalistas, no sentido em que, em cada caso particular, a mera aplicação dos seus princípios gerais nos dá uma resposta adequada. Por exemplo, para saber qual é a área de um dado terreno, aplicamos os princípios gerais da trigonometria; e ficaríamos muito surpreendidos se estes princípios não dessem resultados inteiramente adequados. Todavia, isso é exactamente que parece acontecer no caso das teorias deontologistas e consequencialistas: ao aplicá-las a casos particulares, como os casos dos comboios desgovernados, os resultados parecem inadequados.
   A ética das virtudes não é generalista. Ao contrário do deontologista ou do consequencialista, Aristóteles pensa que não há critérios substanciais adequados da acção correcta, como “age de acordo com o imperativo categórico” ou “promove a maior felicidade do maior número”. Claro que, do ponto de vista de Aristóteles, cultivar as virtudes é o mais importante da vida ética; mas “age de maneira virtuosa” é um critério vazio porque não nos diz ainda como agir exactamente em cada caso particular. Porém, se não temos critérios da acção correcta, como vamos descobrir o que fazer em cada caso?
    A resposta é que temos de ter reflectido previamente sobre virtudes paradigmáticas, como a coragem ou a lealdade; então, perante uma situação da vida, tentamos descobrir o que é virtuoso fazer naquele caso particular. Uma vez que, nessa reflexão prévia, vimos que a acção virtuosa se encontra, em vários casos, num meio-termo entre um excesso e um defeito (coragem em excesso é o vício da temeridade, por exemplo, e a falta de coragem é o vício da cobardia), usamos essa ideia como guia. Mas é um mero guia: a doutrina aristotélica do meio-termo não deve ser encarada como um critério da acção correcta, como se fosse um imperativo categórico ou o princípio consequencialista de promover a maior felicidade para o maior número. Até porque, se o fosse, produziria resultados obviamente falsos: entre assaltar um banco de maneira mais arriscada sem matar pessoas e assaltá-lo de maneira menos arriscada matando dez pessoas, o meio-termo é assaltá-lo matando apenas cinco; mas é claro que isto não é uma razão para pensar que esta é a coisa virtuosa a fazer.
     A ideia de Aristóteles é que temos, em cada caso, de pesar cuidadosamente os factores relevantes, procurando não cair em excessos; mas não há um princípio geral, como na deontologia ou no consequencialismo, para descobrir qual é a acção virtuosa. Perante uma pessoa carenciada, por exemplo, pode ser virtuoso ajudá-la, dando-lhe mil euros para ela resolver as suas dificuldades; perante outra, que não o merece, poderá ser vicioso fazer tal coisa. Tudo depende de vários factores moralmente relevantes, que variam sempre tanto de situação para situação que não podem ser adequadamente integrados numa teoria geral da acção correcta. Esta surge assim não como a aplicação automática de um princípio teórico geral, mas em resultado da decisão de um agente virtuoso, que reflectiu cuidadosamente na questão e tomou uma decisão de acordo com a razão.


sábado, 8 de Novembro de 2014

Filosofia da música

Uma excelente antologia organizada por Vítor Guerreiro, que também escreve a introdução. Trata-se de filosofia no seu melhor. Uma breve descrição aqui e uma espreitadela no próprio livro aqui.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Manual digital atualizado

As gralhas e erros que nos foram comunicados estão já corrigidos na versão online dos manuais digitais dos 10.º e 11.º anos. Assim, os professores que queiram usar uma versão sem gralhas poderão usá-lo nas suas aulas. Se mais gralhas vierem a ser encontradas, agradecemos que nos comuniquem.



quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Termos maior e menor

Pode ser de facto que Aristóteles se referisse ao predicado da conclusão quando falava do termo maior; mas não lhe ocorreria usar isto como uma definição porque a sua maneira de elaborar a questão da validade duma dada forma não é construindo um silogismo completo mas antes oferecendo um par de premissas e perguntando que conclusão, se alguma existe, pode ser derivada. Por isso ele deve ter outro meio de, pelo menos em aparência, determinar qual é o termo maior sem referência à conclusão. Por outro lado, não é impossível para ele falar de um silogismo no qual o termo menor é predicado do termo maior. 
Parece, pois, que o significado dos termos 'maior' e 'menor' muda durante o desenvolvimento do pensamento de Aristóteles. [...] Desde o século dezassete que a maioria dos escritores adoptaram a sugestão de João Filopono que o termo maior seja definido como predicado da conclusão. Filopono claramente admite que esta decisão é arbitrária.
William e Martha Kneale, O Desenvolvimento da Lógica (FCG, p.73)

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Russell em busca da verdade: lógica, matemática e filosofia em banda desenhada


Foi publicado recentemente Logicomix: Uma Busca Épica da Verdade, um livro muito interessante e acessível, que é também um sucesso internacional. É sobre Russell, sobre lógica, sobre matemática e sobre filosofia. É banda desenhada, mas não se trata de caricaturar ideias. Podem ver aqui mais alguns pormenores sobre o livro.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

França ultramarina

O professor Eurico Carvalho chamou-nos gentilmente à atenção para os exercícios 1 e 2 da página 14 do 50LF10, nos quais testamos o domínio dos conceitos de condição necessária e condição suficiente: num caso, perguntamos se ser francês é condição suficiente para ser europeu, e no outro se ser francês é condição necessária para ser europeu. Quando fizemos o exercício estávamos a presumir que a França tinha abandonado, como Portugal, todos os seus territórios ultramarinos (para usar a expressão colonialista que se usava em Portugal antes da liberdade nos ter chegado nas pétalas dos cravos de Abril); acontece que isso é falso, e a França tem ainda hoje vários territórios ultramarinos, como a Guiana Francesa, no continente sul-americano, mas também a Polinésia Francesa e a Nova Caledónia, perto da Austrália, entre outros territórios franceses.

Dada esta complicação política, é curioso pensar se é ou não verdadeiro que ser francês é condição suficiente para ser europeu. Como os franceses dos territórios ultramarinos votam para o parlamento francês, também votam para o parlamento europeu. Assim, se consideramos que votar para o parlamento europeu é uma condição suficiente para ser europeu, essas pessoas são realmente europeias, ainda que sejam, por exemplo, geograficamente sul-americanas. O que isto significa é que temos uma incoincidência entre os conceitos geográfico e político de europeu. Geograficamente, só é europeu quem nasceu no continente europeu, ou nas suas ilhas; politicamente, contudo, há europeus que são geograficamente sul-americanos.

Em termos agora práticos, os professores têm dois tipos de opções à sua disposição. A primeira é deixar o exercício tal como está e avaliar apenas o domínio dos conceitos de condição necessária e suficiente, mesmo que o aluno pressuponha informação política falsa. Assim, por exemplo, um aluno que escreva o seguinte tem nota máxima porque mostra dominar o conceito, apesar de se basear talvez em informação empírica errada: “Ser francês é uma condição suficiente para ser europeu porque todos os franceses são europeus; mas não é uma condição necessária porque há europeus que não são franceses”.

A segunda opção é mudar o exercício para “ser alemão”: apesar da sua triste história, os alemães, ao contrário dos franceses, abandonaram o colonialismo.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Novas gralhas

Novas gralhas, desta vez no manual do 11.º ano, foram corrigidas na errata, graças ao colega António Padrão, da E. S. Alberto Sampaio (Braga). 

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Usar cartão 50LF em computadores Mac


O cartão/pen 50LF que os professores têm recebido com o manual digital funcionam também em computadores Mac. Em alguns casos é, contudo, necessário dar alguns passos a mais, que são os seguintes:

- Instalar (caso não tenha instalado) o Adobe Flash Player, clicando aqui
- Instalar (caso não tenha instalado) o browser Opera, clicando aqui
- inserir a pen numa entrada usb do Mac
- aceder ao disco (que tem o formato de um CD). Surgem 2 pastas e 6 ficheiros
- clicar no ficheiro ebook.swf (caso não abra o browser Opera deverá selecionar o ficheiro ebook.swf e clicar com o botão do lado direito de modo a surgirem as opções e aí selecionar «Abrir com…» e escolher o browser Opera)

Se houver alguma dúvida, não hesitem em nos contactar.

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Onde melhor se estuda filosofia?

Por vezes há alunos que pretendem estudar filosofia no ensino superior e perguntam ao seu professor do 11º ano qual a melhor universidade para o fazer. Muito mais raros são os alunos que dizem querer estudar filosofia nas melhores universidades, mesmo que tenham de sair de Portugal. Neste caso, o melhor é recomendar a consulta do ranking anual QS, um dos mais fiáveis que há. Claro que estes rankings são falíveis, mas não deixam de ser um indicador a ter em conta, pois baseiam-se em trabalho sério e em critérios razoavelmente precisos.


No ranking mundial de filosofia, o primeiro lugar pertence à Universidade de Nova Iorque (a NYU, que não deve ser confundida com outras universidades sediadas na mesma cidade, como a CUNY e a Columbia University). A NYU destronou este ano a Universidade de Oxford, que passou agora para segundo lugar.

Como curiosidade, a universidade de língua portuguesa melhor classificada é a brasileira Universidade Estadual de Campinas, que se encontra em 42.º lugar. O ranking apenas tem as duzentas melhores do mundo e não inclui qualquer universidade portuguesa. 

Outra curiosidade é que a melhor da península ibérica é a Unversidade de Barcelona, que está no grupo das universidades entre os lugares 51 e 100.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Manual digital nas escolas

A partir desta semana os colaboradores da Didáctica Editora irão começar a entregar nas escolas o cartão 50LF, com o manual digital do 11º ano completamente atualizado. Estejam atentos à sua visita. Qualquer dúvida ou apoio adicional, não hesitem em falar com os colaboradores da editora, que terão todo o gosto em responder às vossas solicitações.