sábado, 16 de Agosto de 2014

Pensar Outra Vez


O meu livro Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade, está só hoje com desconto de 70% na Amazon, e apenas na versão Kindle. E está em 5.º lugar no top de vendas. Obrigado a todos os leitores!


sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Chegaram as férias

Ao contrário do que tantas pessoas continuam a pensar, a esmagadora maioria dos professores só a partir de agora poderá gozar as suas férias. Desejamos umas boas e merecidas férias a todos.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Como os nomes adquirem o seu significado

Como explicar a interessante descoberta de que a Estrela da Manhã (Vénus) é a Estrela da Tarde (Vénus)? Uma questão intrigante, que está na origem da contemporânea filosofia da linguagem. Frege, Russell e Kripke sobre o significado. Por Adriana Silva Graça.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Escolas 50LF 11

Temos já a lista quase definitiva das escolas que, em Portugal e em África, adotaram o 50LF 11. Agradecemos aos colegas a confiança em nós depositada, e aqui estaremos ao longo destes seis anos para trabalharmos em conjunto em prol da excelência do ensino da filosofia. Continuaremos a produzir materiais explicativos para o manual digital, a que têm acesso gratuito todos os professores das escolas que escolheram os nossos manuais.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

O que é a arte? Respostas

Tentando resumir o mais brevemente possível (numa frase ou pouco mais) as perspectivas apresentadas no colóquio "O que é a arte?", realizado no passado dia 4, sexta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o resultado é o seguinte:


Herman Siemens apresentou a perspectiva nietzscheana da arte como afirmação do génio criador.

Katia Hay caracterizou a perspectiva de Schelling da arte como a contraparte estética e objectiva da intuição intelectual subjectiva própria da filosofia.

Aires Almeida apresentou a resposta de Tolstói, de acordo com a qual a arte é expressão contagiante de sentimentos.

Carlos João Correia expôs a resposta de Clive Bell, segundo a qual o que faz de algo uma obra de arte é a forma significante.

Ana Baptista apresentou a definição de Collingwood, para quem a arte propriamente dita é expressão clarificadora de emoções.

Américo Marcelino esclareceu a perspectiva de Goodman, para quem algo é arte enquanto funciona como símbolo estético no interior de um sistema simbólico.

José Miranda Justo esclareceu a perspectiva de Deleuze, segundo a qual as artes são produtoras de sensações que existem intemporalmente num devir de possibilidades.

Paula Mateus defendeu a definição de Danto, de acordo com a qual algo é arte se manifesta uma atitude que requer uma interpretação activa por parte do público, de acordo com o contexto artístico particular em que se insere.

Paula Gabellieri, apresentou a perspectiva de Carroll de que classificar objectos como arte não exige qualquer definição, recorrendo-se antes a explicações de carácter genealógico ou a narrativas históricas.

António Lopes expôs a definição de Levinson — uma das suas versões — segundo a qual um objecto é arte se houve a intenção séria do seu titular de que ele viesse a ser encarado como as obras de arte anteriores são ou foram correctamente encaradas. 

Estas pareceram-me as ideias centrais — que foram devidamente exploradas e discutidas — de cada uma das comunicações a que assisti. Quanto às duas últimas, apenas posso presumir que foi isso, pois não me foi possível assistir até ao fim. 

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Morreu Cristina Beckert


Cristina Beckert (1956-2014) era professora no Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa, e colaborou com a Filosofia Aberta, tendo feito a revisão científica de Ética Prática, de Peter Singer. Especialista em Fichte e Levinas, tinha também interesse na ética aplicada, nomeadamente a ética ambiental. Foi, além disso, co-autora de manuais de Filosofia para o ensino secundário. Uma pessoa extremamente afável e suave, deixa certamente em todos os que a conheceram, ainda que brevemente, como foi o meu caso, uma tristeza profunda.

Adeus, Cristina.

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Lógica de Aristóteles

Quando se estuda a lógica aristotélica hoje em dia há uma tendência para não estudar a lógica de Aristóteles, porque se estuda uma das muitas versões de alguns aspectos da lógica de Aristóteles, muitas vezes misturada com vários aspectos que não encontramos na obra deste filósofo. Por exemplo, como o Aires já referiu aqui, a quarta figura do silogismo não surge na obra de Aristóteles, mas é comum ensiná-la aos alunos (para haver uma quarta figura é necessário fixar a ordem das premissas, coisa que é logicamente irrelevante e que Aristóteles não fez, pois todo o argumento do género "Premissa 1, Premissa 2, conclusão" é rigorosamente equivalente ao argumento "Premissa 2, Premissa 1, conclusão"). Esta é uma razão para distinguir a lógica de Aristóteles da lógica aristotélica: ou seja, para distinguir a lógica que Aristóteles realmente fez, da lógica inspirada em Aristóteles mas que inclui outros elementos que lhe são estranhos (e por vezes até dificilmente compatíveis, como considerar que "Todos os homens são mortais; Sócrates é um homem; logo, Sócrates é mortal" é um silogismo: dado que a lógica aristotélica é uma lógica de termos gerais, incluir o termo singular "Sócrates" não só dá origem a sérias dificuldades como é uma confusão, se não tivermos consciência de que se trata de uma extensão da lógica silogística original).

Por outro lado, a lógica de Aristóteles não inclui apenas a teoria do silogismo categórico, que é geralmente o que se tem em mente quando se fala da lógica aristotélica. A teoria lógica de Aristóteles tem na verdade quatro partes:

  1. A primeira, e a base de todas as outras, é a teoria da conversão. Nesta, Aristóteles estuda as inferências com uma premissa apenas (como "Todos os homens são mortais; logo, alguns mortais são homens"). 
  2. A segunda parte é a teoria do silogismo categórico (ou assertórico), na qual Aristóteles estuda inferências como "Todos os seres humanos são mortais; todos os mortais são limitados; logo, todos os seres humanos são limitados". Aristóteles prova a validade e a invalidade de todos os silogismos possíveis recorrendo à teoria da conversão e argumentando muitas vezes por reductio.
  3. A terceira, e que Aristóteles não desenvolveu cabalmente, é a teoria do silogismo modal, um exemplo do qual seria "Todos os seres humanos são necessariamente mortais; todos os mortais são possivelmente infelizes; logo, todos os seres humanos são possivelmente infelizes". Esta parte da lógica de Aristóteles sofreu crucialmente com a sua definição de "possivelmente", que difere da definição posterior como "não é necessário que não": Aristóteles considera esta definição mas opta pela ideia de que "possivelmente p" significa que nem é necessário que p nem é necessário que não-p.
  4. Finalmente, na quarta parte, Aristóteles apresenta vários resultados metalógicos, ou seja, demonstra teoremas acerca da sua teoria do silogismo categórico. É desta parte que, com várias adaptações ao longo dos séculos, nem todas felizes, se extrai a ideia de "regras do silogismo"; a rigor, não são regras de decisão para determinar se um silogismo é válido ou não, mas antes o resultado da análise dos silogismos válidos, feita depois de termos provado todos os silogismos válidos, recorrendo à teoria da conversão.